Telefônica vence duelo e fica com 18% da Telecom Itália

Ana Paula Lobo / Convergência Digital

SÃO PAULO – Num consórcio formado com as italianas Generali, Intesa-SanPaolo, Mediobanca e a própria Sintonia (ligada ao grupo Benetton), a Telefônica comprou os 18% que a holding Olimpia, da Pirelli, detém na Telecom Itália. Negócio é avaliado em 4,1 bilhões de euros – US$ 5,6 bilhões.

A conclusão do negócio foi formalizada neste sábado, dia 28 de abril. A holding Olímpia, liderada pela Pirelli, sob o comando do ex-presidente da Telecom Itália, Marco Tronchetti, informou que um consórcio liderado pela Telefónica e por grupos italianos adquiriram os 18% da Olímpia na gigante italiana. Desse percentual 80% são da Pirelli e 20% da Sintonia Spa e Sintonia SA, do grupo Benetton, que permanecem no negócio, já que são integrantes do consórcio liderado pela operadora espanhola. 
Conforme notícias veiculadas na imprensa italiana e espanhola, o consórcio comprador da Olímpia detém ainda o direito de comprar mais 5,6% das ações da Telecom Itália, assumindo assim, caso a aquisição ocorra, 23,6% do controle total da operadora italiana.

O acordo prevê que a Telefônica irá nomear dois membros na diretoria da Telecom Italia em função da sua participação indireta de 10%. As duas operadoras, informam ainda à imprensa, terão gestão independente, mas planejam, sim, cortar custos com sinergias, após a conclusão do negócio, prevista para outubro, já que precisa receber autorização das autoridades regulatórias.

 O governo italiano, na prática, comemorou o resultado. Havia uma grande preocupação das ações da Olímpia, liderada pelo ex-presidente da Telecom Italia, Marco Tronchetti, ficasse nas mãos de “estrangeiros”, e especialmente, nas mãos do grupo ligado ao mexicano Carlos Slim. A proposta repercutiu muito mal na Itália. O governo italiano temeu a possibilidade de a Telecom Italia deixasse de ser controlada por ‘italianos’. Diante da pressão, a AT&T retirou a sua proposta e deixou o grupo América Móvil sozinho. Para evitar a presença dos mexicanos, Telefónica, France Telecom e, até a Deustche Telecom, começaram a negociar acordos para ficar com a parte da holding Olimpia.

A operadora mexicana – com a desistência da AT&T – buscou parceiros no mercado italiano, mas desta vez, a Telefónica se mostrou mais eficiente na negociação e, por fim, derrotou a arqui-rival América Móvil, com quem trava um duelo pela liderança do mercado de telefonia na América Latina.

Especulações

No comunicado distribuído à imprensa, os integrantes do consórcio vencedor da proposta pela aquisição da Olímpia informam que pretendem criar uma nova empresa, a TelcoSpA, na qual a Telefônica terá 42,3% e os demais sócios italianos -Generali, Intesa-SanPaolo, Mediobanca e a própria Sintonia(ligada ao grupo Benetton) – ficam com os 57,7% restantes.

Oficialmente até a aprovação do negócio pelos órgãos reguladores, não há qualquer conseqüência direta da aquisição no mercado brasileiro envolvendo a Telefónica e a TIM, mas a verdade é que com assento no controle da Telecom Italia, os espanhóis passam a ter uma relação mais estreita com a operadora italiana.

Vale lembrar que a relação da Telefónica com a Portugal Telecom, operadora com a qual detém 50% das ações da Vivo, operadora líder do mercado de telefonia móvel no país, não é das melhores desde que o grupo espanhol votou favoravelmente à venda da PT ao grupo Sonaecom, oferta rejeitada pela maioria dos acionistas.

Oficialmente, inclusive, as duas operadoras – Telefónica e Portugal Telecom – admitem que negociam a venda das ações da Vivo, sendo que a Telefónica enviou comunicado à CVM, após a onda de rumores que fizeram na semana passada, as ações da Vivo dispararem em dia de baixa na Bovespa.

O certo,agora, é que a Claro, que na última semana anunciou os resultados do trimestre e está na terceira posição do ranking nacional, mas obteve um resultado financeiro positivo e até surpreendente para o mercado, apesar da estratégia de ‘dar’ celulares gratuitos aos assinantes, não contará mais com a possível incorporação da TIM, segunda colocada, mas bem próxima da Vivo, que ainda detém a liderança do market share nacional, mesmo não atuando no Nordeste e em Minas Gerais, para chegar ao primeiro lugar, um desafio imposto à gestão da operadora brasileira do grupo América Móvil.

A definição dos rumos da Telecom Italia deverão provocar novos rounds para o mercado brasileiro de telefonia. No mercado móvel, as atenções podem ser voltar para onde há uma operação à venda: Telemig Celular e Amazônia Celular, em função das desavenças entre os acionistas. Pode-se esperar que, agora, a aquisição dessa operação possa vir a ser o mais novo embate entre espanhóis e mexicanos na briga pelo poderio do setor na América Latina.

Mas também há a opção da Telefónica entrar na Brasil Telecom, já que a Telecom Italia não quer continuar à frente do negócio. Essa nova opção, inclusive, mexe, agora, com o mercado de telefonia fixa. Até então, se trabalhava por uma mudança no marco regulatório imediata do setor para buscar uma possível fusão entre Brasil Telecom e Oi(ex-Telemar). Só que, agora, a Telefónica ganha presença na Brasil Telecom. Claro é que o negócio também deverá passar por uma avaliação aqui no Brasil nos órgãos reguladores como a Anatel e o CADE.

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