Câmera dá salto à frente no zoom

BRUNO GARATTONI/AE

TELESCÓPIO – Foto tirada na cobertura do prédio do Estadão; repare, no destaque, a força do zoom óptico de 18, grande novidade da câmera

Bruno Sayeg Garattoni

Dê uma olhada na foto acima, tirada no topo do prédio do Estadão. Está vendo a setinha vermelha, na parte esquerda da imagem? O que tem ali? Está tão longe… Agora veja, no destaque, a foto tirada com o zoom máximo da nova câmera Olympus . Não são formiguinhas… são pessoas! Dá até para ver, com detalhes perfeitos, o rosto da moça.

A câmera digital Olympus SP-550, que acaba de chegar ao Brasil e foi testada pelo Link, promete um salto tecnológico enorme: inacreditáveis 18x de zoom óptico. É seis vezes mais do que uma digital comum – e também deixa as máquinas topo de linha, que vão no máximo a 12x, comendo poeira. Será? Mas o que significa, na prática, um zoom tão poderoso? Nos testes, a Olympus foi comparada à Sony DSC-H5, que tem 12x de zoom e é uma das melhores câmeras da geração passada. Para espanto geral, a Sony conseguiu chegar bem perto – nesta mesma foto, ela também conseguiu aproximar muito a imagem (ficou a apenas dois metros da Olympus). Como é possível?

Afinal, 18x é muito mais do que 12x, certo? A explicação revela outra qualidade da Olympus: sua lente, além do zoom fortíssimo, também é grande-angular. Ou seja – com o zoom no máximo, ela não vai tão mais longe do que a Sony. Em compensação, quando você tira retratos e outras fotos de perto, a SP-550 enquadra uma área bem maior. É o suficiente, por exemplo, para que caibam duas pessoas a mais em um retrato de família. Bacana.

A Olympus tem, claro, estabilizador de imagem – para evitar que, principalmente em fotos com muito zoom, o resultado fique borrado. Só que, enquanto a Sony e praticamente todas as outras boas câmeras usam estabilizador óptico, em que a lente se mexe para compensar as “tremidinhas” da sua mão, a SP-550 é diferente. Nela, quem se move é o próprio sensor digital de imagem, o CCD. Na prática, essa tecnologia estranha funcionou muito bem. Ela não é infalível – em um dos testes, com iluminação inadequada (contraluz), as fotos tiradas pela Olympus borraram. Mas foi uma exceção.

A SP-550 tira excelentes fotos. No quesito cor, bota a Sony no chinelo. Ao contrário da rival, que distorce a temperatura de cor (o branco e os tons claros ficam azulados), a Olympus é altamente precisa. Ela poderia ter um pouquinho mais de força nas cores – mas isso é coisa facilmente corrigível por um software de edição fotográfica.

A SP-550 promete outro avanço incrível: sensibilidade (ISO) 5000. É muito mais do que uma câmera comum, que só vai até ISO 400 ou 800. Isso significa que, teoricamente, a Olympus consegue tirar fotos bem melhores em situações de pouca luz – à noite, por exemplo. Mas, na prática, não é bem assim. As fotos tiradas com ISO acima de 400 já apresentam bastante ruído, e a coisa fica cada vez pior. A partir de ISO 3200, a resolução cai muito, de 7 para 3 megapixels. No modo ISO 5000, as imagens são simplesmente horríveis. Parecem tiradas com celular.

Então, o ideal é ignorar os modos de alta sensibilidade. Se faltar luz, use o flash. A câmera, lógico, indica quando isso é necessário. Só que, incrivelmente, o flash da Olympus não abre sozinho! Você precisa levantá-lo manualmente, apertando um botão, antes de começar a fotografar.

Outro detalhe meio tosco é que, se você ligar a Olympus sem antes tirar a proteção da lente, a tampinha vai parar no chão. A Sony é mais inteligente, “sabe” quando está tampada. É feio e embaraçoso para a SP-550, mas não é nada demais.

Já a telinha de cristal líquido é um problema. Ele tem 2,5 polegadas, ou seja, parece bem pequena perto das 3 polegadas da Sony. Mas seu grande defeito está no ângulo de visualização, muito baixo. Se a SP-550 não estiver totalmente reta, perpendicular aos seus olhos, a imagem piora demais; chega a sumir. E o visor óptico também não ajuda: ele é superbrilhante e relativamente grande, mas falta resolução – a imagem fica cheia de linhas horizontais.

Outro problema é que, em situações de luz intensa, ao ar livre, tanto o visor quanto a telinha às vezes dão uma “pirada”, ou seja, exibem distorções de luz (blooming). Só que essas distorções não existem, ou seja, não se confirmam na foto em si. A SP-550 não é lá muito fácil de mexer, mas seu modo Guide é sensacional – um tutorial que ensina, na própria câmera, a tirar 15 tipos de foto. Para os fotógrafos mais avançados, o destaque é o My Mode: você pode definir até quatro configurações personalizadas (ISO, flash, obturador etc) e acessá-las ao toque de um botão. Muito legal.

A Olympus tem um modo “burst” furioso: nos testes, tirou 20 fotos sequenciais em menos de dois segundos. Mas as fotos saem com resolução ridícula: 1,22 megapixel. Uma pena.

Somando prós e contras, a Olympus SP-550 é como um carro de corrida. Ela não é muito luxuosa, nem muito inteligente. Mas sua performance, tanto em qualidade quanto em zoom, é simplesmente arrasadora. Para quem realmente gosta de fotografia e pode pagar R$ 3.000 (nos EUA, ela custa US$ 500), é uma excelente câmera.

Ficha técnica
SP-550 ULTRAZOOM
OLYMPUS
PREÇO
| R$ 3.000 (mais R$ 100 por um cartão xD com capacidade de 512 megabytes, ou R$ 150 pelo cartão de 1 GB)
SITE |
www.olympus.com.br

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