Portadores de deficiência nas universidades cresceu 179% em 5 anos

Fernanda Bassette Do G1, em São Paulo

O número de alunos portadores de deficiências e necessidades especiais (como deficiência física, auditiva e visual e dislexia) nas universidades do país aumentou 179,4% entre 2000 e 2005, segundo dados do Censo da Educação Superior de 2005 elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). As matrículas passaram de 2.155 para 6.022 em cinco anos. Se considerados os alunos superdotados, os matriculados subiram de 2.173 para 6.328 e o aumento percentual foi de 191%.  

O Censo aponta também que o maior crescimento foi nas instituições de ensino superior privadas. Em 2000, as universidades públicas tinham 52,23%  (1.135 alunos) do total de matriculados com necessidades especiais (incluindo os superdotados) e as privadas, 47,77% (1.038 estudantes). Já os números de 2005 mostram que 67% (4.247) dos alunos nessa categoria estudavam em entidades particulares. 

O número de alunos portadores de deficiências e necessidades especiais (como deficiência física, auditiva e visual e dislexia) nas universidades do país aumentou 179,4% entre 2000 e 2005, segundo dados do Censo da Educação Superior de 2005 elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). As matrículas passaram de 2.155 para 6.022 em cinco anos. Se considerados os alunos superdotados, os matriculados subiram de 2.173 para 6.328 e o aumento percentual foi de 191%.  

O Censo aponta também que o maior crescimento foi nas instituições de ensino superior privadas. Em 2000, as universidades públicas tinham 52,23%  (1.135 alunos) do total de matriculados com necessidades especiais (incluindo os superdotados) e as privadas, 47,77% (1.038 estudantes). Já os números de 2005 mostram que 67% (4.247) dos alunos nessa categoria estudavam em entidades particulares.

 

Mecanismos de adaptação

Um levantamento feito pela Universidade de Brasília (UnB) mostra que, no mesmo período, a instituição registrou um crescimento de 282% nas matrículas de portadores de necessidades especiais na universidade, saindo de 17 para 63 estudantes.

Divulgação

Alexandre Fonseca, aluno da UnB, tem dificuldade de locomoção (Foto: Arquivo pessoal)

“Este levantamento é um elemento para que as universidades criem mecanismos de adaptação dos seus campi e também na aplicação da prova do vestibular. Uma pessoa com baixa visão, por exemplo, precisa de uma prova adequada e com letras especiais para entrar na faculdade e durante todo o curso”, disse a professora da Faculdade de Educação da UnB, Amaralina Miranda de Souza, que também é pesquisadora de temas relacionados à educação inclusiva.

Segundo Amaralina, hoje 63 alunos portadores de necessidades especiais fazem graduação ou pós-graduação na UnB. São seis deficientes auditivos, 24 deficientes visuais, 27 deficientes físicos e seis com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). “Para eles não é fácil encarar uma graduação. Além das barreiras arquitetônicas, como falta de rampas, portas e banheiros adaptados, da longa distância entre um prédio e outro, eles ainda têm de superar os empecilhos pedagógicos”, disse a professora.

Para garantir a entrada e a permanência desses estudantes na instituição, a UnB tem o Programa de Apoio aos Portadores de Necessidades Especiais (PPNE), que tem como objetivo promover o atendimento para esses alunos dentro da instituição.

Além da adaptação arquitetônica dos campi e das adequações das provas, o programa  mantém um carro adaptado para transportar os alunos com deficiência física dentro do campus e nas imediações. Segundo ela, no início de cada semestre, é organizada uma grade horária conforme a necessidade dos universitários.

O estudante Alexandre Pereira Fonseca, 23, aluno do último semestre de serviço social da UnB é um dos que usam o serviço de transporte dentro da universidade. Ele, que teve paralisia cerebral ao nascer, tem dificuldades de locomoção, embora não precise usar cadeira de rodas ou muletas. “Caminho sem ajuda de ninguém, mas ando mais devagar e com mais dificuldades”, disse.

As aulas da UnB são ministradas em prédios diferentes e os alunos têm 15 minutos para se deslocar, mas Fonseca diz que não consegue andar com essa rapidez. “Por isso faço o agendamento do carro. Se não existisse esse serviço, terminar a graduação seria praticamente inviável”, afirmou o estudante, que tem o tempo de provas estendido em uma hora porque escreve com mais dificuldade.

Para Fonseca, terminar o curso em julho deste ano é a realização de um sonho. “Estar na UnB e terminar a graduação é muito gratificante. Estou muito feliz e com a sensação do dever cumprido”, disse.

USP

Na Universidade de São Paulo (USP), não há números exatos de alunos portadores de algum tipo de deficiência matriculados, mas a universidade afirma que esse número tem aumentado nos últimos anos.

De acordo com Ana Maria Estela Caetano Barbosa, coordenadora-executiva do programa USP Legal e da Rede Saci, em 2006, 11 alunos portadores de necessidades especiais se matricularam na USP, sendo seis deficientes físicos, dois deficientes visuais, um deficiente auditivo e dois portadores de dislexia (pessoas com transtorno de aprendizado na área da leitura). 

Assim como na UnB, o programa da USP para os portadores de deficiência tem duas vertentes: uma é adequar os espaços físicos e a outra é garantir a permanência desses alunos na universidade promovendo a capacitação de professores, funcionários e do conteúdo pedagógico (por exemplo, transformar livros para o braille). A USP também tem duas peruas que fazem o transporte dos portadores de deficiência dentro do campus.

Desafio ainda existe

Para Amaralina, a questão da inclusão de deficientes nas universidades ainda é um desafio muito grande porque é preciso consciência social do próprio aluno e mais preparo dos professores que vão receber esse calouro. “A gente já avançou bastante, mas ainda é preciso evoluir mais. É importante que o aluno entre e consiga terminar o curso. Não adianta só entrar e não conseguir se locomover ou não ter equipamentos e materiais adequados”, disse a professora.
Ana Maria, da USP, concorda com a professora Amaralina. “Hoje a situação dos portadores de deficiência é muito diferente do que há cinco anos. Apesar de faltar muito caminho ainda para percorrermos, já caminhamos bastante. A lei diz que toda criança tem que estar na escola, independente se ela tem alguma deficiência ou não. Toda família tem o direito de colocar o seu filho com deficiência em uma escola regular e pública. A inclusão desses alunos na universidade é uma coisa nova, mas que ainda vai crescer muito”, disse.

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2 comentários sobre “Portadores de deficiência nas universidades cresceu 179% em 5 anos

  1. Cíntia,
    Obrigado pelo comentário. A respeito do seu questionamento, você não deu maiores detalhes, mas sugiro você entrar em contato com por exemplo a Rede Saci(http://www.saci.org.br/). Provavelmente eles possam lhe orientar.
    Abraços e boa sorte,
    Xicolopes

  2. Sou uma pessoa portadora de deficiencia fisica tenho nanismo 1,02 de altura e gostaria de saber como e adaptação pra essa deficiencia e aonde eu encontro caso haja entre em contato

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