Universidades semeiam a inovação nos iniciantes

As universidades querem ajudar as pequenas indústrias a lutar por um lugar ao sol. Quem garante são instituições como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de São Paulo (USP).

Esses centros de conhecimento mantêm agências de inovação que apóiam alunos e professores a criarem novas empresas dentro de incubadoras de negócios, protegem patentes industriais e ainda assessoram empreendimentos já estabelecidos. Algumas companhias incubadas conseguem os primeiros clientes antes mesmo de entrarem no mercado.

De acordo com uma pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), as incubadoras podem ajudar os empresários a manterem seus negócios. Segundo a entidade, quase metade das companhias cerram as portas em até dois anos de existência e 56,4% passam o ponto com até três anos de atividade.

Para o Sebrae, as incubadoras reduzem essas mortes súbitas. O estudo revelou que as empresas que passam por um processo de incubação apresentam uma taxa de mortalidade menor que 10%. A mesma análise revelou que as razões do sucesso dos sobreviventes estão ligadas ao conhecimento do mercado, à capacidade empreendedora e à logística operacional – tudo o que um empresário aprende e pratica dentro de uma incubadora.

Na Unicamp, a Agência de Inovação Inova, criada há quase quatro anos, funciona como um núcleo de inovação tecnológica dentro e fora do campus. No meio corporativo, representa uma oportunidade de acesso às pesquisas desenvolvidas pela instituição. Junto à Unicamp, oferece aos pesquisadores apoio na busca de patentes, para proteger os trabalhos produzidos.

“Além disso, mantemos uma rede de relacionamento com empresas e órgãos do governo, que facilita a efetivação de contratos de desenvolvimento, licenciamento e transferência de tecnologia”, explica Roberto Lotufo, diretor executivo da Inova. Somente no ano passado, a agência obteve R$ 11 milhões em 75 acordos de pesquisa com empresas.

Na área de patentes, até dezembro de 2006, quando completou 40 anos, a Unicamp contabilizou 460 títulos no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), além de 70 programas de computador registrados ou com registro requerido – um recorde no meio acadêmico.

O estoque de tecnologias desenvolvidas também ganhou as ruas. Desde a criação da Inova, foram assinados 25 contratos de licenciamento de 43 patentes. “O que mostra a apropriação do conhecimento pela sociedade e estimula a pesquisa científica nas empresas, condição fundamental para o desenvolvimento tecnológico do país”, afirma Lotufo.

O resultado final pode aparecer na forma de novas empresas ou de parcerias estratégicas entre a universidade e companhias estabelecidas. Hoje, há cerca de 130 negócios criados por alunos, ex-alunos, professores ou ex-mestres da Unicamp. Entre as empresas que passaram pelo processo de pré-incubação oferecido pela Inova estão a Pinuts, hoje incubada na Ciatec – Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas; e a Vocalize, na Incamp, incubadora gerenciada pela Inova, que abriga 12 empreendimentos. A Pinuts, por exemplo, escolheu o segmento de mobilidade e cria aplicativos para celular. Os sócios da empresa vieram do curso de engenharia da computação da Unicamp e conseguiram seus primeiros clientes antes mesmo de registrar a companhia. Já a Vocalize, formada por doutorandos da universidade, prepara um programa de computador que converte textos em fala. O protótipo do software deve ficar pronto em julho.

“Temos um projeto de uma incubadora de agronegócios e devemos gerenciar uma outra incubadora para atender a Embrapa Informática, em Campinas”, revela Lotufo.

Em Minas Gerais, a incubadora da UFMG também se chama Inova e tem uma agenda cheia. Oferece programas de incubação e pré-incubação de empresas, coordena um curso de empreendedorismo e faz prospecção de tecnologias dentro da UFMG, para atender às necessidades do mercado. A universidade é a segunda maior em número de patentes, com 128 registradas no Brasil e 24 no exterior. “Desde 2003, a Inova já graduou quatro empresas e mais seis estarão independentes até julho”, diz Rochel Lago, coordenador acadêmico da Inova.

Na lista de empreendimentos entregues ao mercado está a i-Vision, que criou uma câmera inteligente para inspeção industrial, segurança, biometria e imagens médicas; e a DM&P, que desenvolve softwares para pesquisa de mercado via internet.

Já a Agência USP de Inovação, ligada à Universidade de São Paulo, e criada em 2005, é responsável por submeter o registro de toda a propriedade intelectual gerada na instituição por docentes, pesquisadores, funcionários e alunos. A unidade administra mais de 300 patentes registradas no país e no exterior. “Entre as empresas criadas por pesquisadores da USP, a Opto Eletrônica já tem mais de 300 funcionários”, comemora Oswaldo Massambani, coordenador da Agência Inovação.

Fonte: Valor

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