Deputado Enéas Carneiro morre de leucemia

 Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) – O deputado federal mais votado da historia do país, com 1,5 milhão de votos, Enéas Carneiro (PR-SP), 68 anos, morreu na tarde deste domingo vítima de leucemia, após ter sido desenganado há uma semana pelos médicos e ter optado por passar seus últimos dias em casa.

Conhecido pelo bordão “Meu nome é Enéas”, cunhado no início da sua carreira política em 1989, quando criou o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (Prona), o deputado terá seu corpo cremado no Rio de Janeiro, de acordo com o presidente do partido, Luciano Castro. Ele disse à Reuters que a perda foi grande para o PR e para o Brasil.

“Era uma figura nacional e sua perda representa uma tristeza muito grande, ele nem teve tempo de viver o novo partido, estava vivendo com muita dificuldade nessa luta contra a doença”, afirmou Castro no início da noite de domingo.

Castro comunicou ao líder da Câmara, Arlindo Chinaglia, que decretou luto na Casa na segunda-feira.

Médico cardiologista, Enéas era filho de um barbeiro e uma dona de casa e nasceu em Rio Branco, no Acre. Aos nove anos perdeu o pai e começou a trabalhar para ajudar a família. Aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou a Escola de Saúde do Exército e, em 1959, graduou-se como terceiro-sargento auxiliar de anestesia.

Deixou o Exército em 1965 e, no mesmo ano, formou-se na Faculdade Fluminense de Medicina, com especialização em cardiologia. Em 1989 decidiu ingressar na carreira política por insistência da esposa, segundo o próprio Enéas, que afirmava que a companheira estava saturada de ouvir o marido reclamar dos políticos e da situação do país.

Com apenas 17 segundos na TV criou o bordão que lhe renderia 360 mil votos na eleição presidencial em 1989. Em 1994, com pouco mais de um minuto na TV, Enéas ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, com 4,67 milhões de votos, perdendo apenas para os então candidatos no primeiro turno Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 1998, com 70 segundos na TV, Enéas conseguiu expor algumas de suas idéias nacionalistas, como a defesa da fabricação “pacífica” da bomba atômica para que o Brasil fosse “mais respeitado”. Contudo, não conseguiu manter o bom desempenho da eleição anterior e terminou o pleito em quarto lugar, com 1,4 milhão de votos.

Logo após sua votação recorde para deputado federal em 2002, que garantiu vaga no Congresso para outros cinco deputados de seu partido, Enéas foi acusado pela Justiça Eleitoral de São Paulo de promover a venda de legenda a candidatos.

Nas eleições de 2006, já debilitado, foi reeleito deputado, cargo que exercia até o agravamento da doença.

Certamente ele não era dos políticos por quem eu tinha maior estima, mas ainda assim há que se reconhecer, a despeito do tratamento caricato que a grande mídia dispensava, era um político esforçado, que por mais paradoxal que seja, conseguiu se fazer entender pelo povo.

Suas idéias são polêmicas, mas a meu ver, não são destituídas de coerência, pecando talvez, por um matiz nacionalista, que em tempos tão globalizados, parecem anacrônicas. 

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