A banda larga que salta de casa em casa

Por Luiz Carlos de Assis para o Diário do Comércio/SP

 

A caixinha Meraki: rede sem fios que replica o sinal com os vizinhos.

Entre todos os modos conhecidos de acesso à internet banda larga talvez a caixa Meraki seja o mais estranho. Seu provedor de acesso não é uma operadora de telefonia, fornecedora de sinal de TV a cabo ou via satélite, mas o seu vizinho. O acesso é feito sem fio e, dependendo do esquema, pode funcionar mesmo que alguma provedora deixe cair o sinal. A velocidade também é boa, ainda que muitos usuários estejam dependurados naquele único acesso.

Meraki é uma marca, que pertence à empresa do mesmo nome, fundada nos Estados Unidos com um objetivo nada menos que grandioso: fornecer acesso em banda larga para o próximo bilhão de pessoas. Um bilhão, sim, e o céu será o limite nas previsões da empresa, que tem apoio financeiro do Google e da Sequoia Capital. No Brasil, representado pela WNI, de Curitiba, espera-se chegar a pelo menos um milhão de caixinhas vendidas. Meraki, em grego, quer dizer fazer algo com alma, criatividade e amor. Ou seja, quando se põe algo de si no que se faz.

Em última análise, a caixinha Meraki é um roteador ao qual diversos computadores podem se ligar por meio de uma placa de comunicação sem-fio (Wi-Fi). No caso, um rádio no padrão 802.11 b/g para redes mesh. Cada um é um repetidor. Em uma casa, individual, significa colocar o roteador na entrada da conexão. Em um raio de 150 metros (com a antena interna bidirecional) a 300 metros (com antena externa), o sinal pode ser captado por qualquer computador ou notebook, que assim têm acesso à internet.

Sinal compartilhado

Um ou mais vizinhos encarregam-se de fazer a assinatura da banda larga com o provedor e repassam o sinal para os amigos. Todos (ou alguns) compram uma caixinha e dividem os custos da assinatura. Sai barato para todo mundo.

Isso é, enfim, uma rede mesh. As redes mesh são um meio de rotear dados, voz e outras instruções entre vários nós. Permite conexão contínua e reconfiguração automática em casos de nós quebrados ou bloqueados, o que a torna altamente confiável. O sistema sempre procura um caminho até o destinatário.

“É um ponto de acesso (acess point) Wi-Fi — explica David Born da Costa, diretor comercial da WNI. — Além de fazer a cobertura wi-fi, permite também a comunicação entre equipamentos do mesmo tipo.”

Mesmo quando alguém desliga seu aparelho, a rede continua funcionando, procurando os demais nós. Mas o ideal é que todos mantenham as caixi-nhas ligadas. Não é preciso nenhum conhecimento específico de tecnologia ou telecomunicações. A caixa funciona sempre, a menos que aconteça uma pane física. E todos são servidos pelo sinal.

Acesso em todo lugar

Em San Diego, na Califórnia, já existe uma comunidade assim, chamada SoCal Fre-eNet. É uma comunidade que gerencia uma rede pública sem fio para pessoas de baixa renda. Seu objetivo é disseminar o uso de banda larga e criar uma sociedade conectada na qual a tecnologia seja um recurso comum. A comunidade tem 25 caixas mini e um gateway. A rede atende a 50 usuários e gerencia média de 15 gigabytes de tráfego por semana.

“O sinal não se degrada tão facilmente”, segundo diz David, da WNI. E cita como exemplo um bairro de São Francisco no qual em uma milha quadrada (1,6 por 1,6 quilômetro) qualquer pessoa com um laptop pode usar o acesso gratuitamente no meio da rua.

E nem todos têm de ter a caixinha em sua casa. Em cidades como Portland, no Oregon, EUA, há uma comunidade de 250 casas que são totalmente servidas por apenas 80 caixas. Quem está no meio de duas delas consegue o mesmo acesso — desde que tenha uma placa Wi-Fi em sua máquina. Nessa rede, NetEquality, a vizinhança é formada por pessoas de baixa renda de conjuntos habitacionais. Aí, ninguém paga nada, a não ser a compra da caixinha. Com esse modelo, a WNI do Brasil espera sensibilizar administrações municipais em todo o País.

O esquema permite, ainda, que certas pessoas com espírito empreendedor tornem-se provedores de acesso em suas comunidades. P odem contar com um programa, Dashboard, fornecido pela própria Meraki para gerenciar os acessos e controlar os “sócios”. O acesso depende de senha.

Só R$ 380

Tudo que é necessário é a caixinha Meraki Mini, que no Brasil vai custar R$ 380 cada uma. Em um prédio de dez andares, não serão necessárias mais do que cinco caixas (pavimento sim, pavimento não). Calculando a média de quatro apartamentos por andar, isso significa 40 usuários que dividiriam o custo da aquisição de cinco caixas — total de R$ 1.900 —, o que daria apenas R$ 47,50 para cada família. A caixinha para uso fora das casas, protegida contra ventos e chuva, custa quase o dobro, mas melhora o sinal para todos.

Claro que o sistema não inclui o acesso primário à banda larga. Não está embutido no preço uma assinatura banda larga via telefone ou cabo. Isso terá de ser negociado com cada provedor. Mas, acredita David, será do interesse das fornecedoras enviar o sinal para um rede de caixas Meraki. O preço pode ser reduzido, para prédios comerciais.

WNI: http://www.wni.com.br

Meraki: http://www.meraki.net

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