Pesquisador encontra ‘superbambu’ em Goiás

Marília Juste Do G1, em São Paulo

Tamanho da espécie impressiona. (Foto: UnB/Tarciso Filgueiras)

Ele já era um velho conhecido dos moradores do interior de Goiás, mas nunca havia sido visto por um cientista. Agora, um pesquisador da UnB anuncia o mais novo membro da flora brasileira: o bambu Guadua magna. Na verdade, o “superbambu” Guadua magna, uma espécie nunca antes descrita, que impressiona pelo tamanho.

A nova espécie foi descoberta por acaso. Especialista em bambus brasileiros, o agrônomo Tarciso Filgueiras, professor da Universidade de Brasília, foi procurado por outro pesquisador, Roberto Magno, da Universidade Federal de Goiás, para analisar uma estranha planta encontrada no interior de seu estado, objeto de sua dissertação de mestrado: o taquaruçu.
Intrigado, Filgueiras foi até a cidade goiana de Campos Novos para ver do que Magno estava falando. E se surpreendeu. “É uma planta grande, vistosa e bonita. É muito difícil entender como ela nunca havia sido descrita antes”, disse ele.

O taquaruçu goiano não é o mesmo taquaruçu encontrado no sul do país. Esse é o Chusquea gaudichaudii. Ele também é bastante diferente da espécie mais comum do Brasil, a chinesa Bambusa vulgaris. Na verdade, faz parte de um grupo comum na Colômbia –- por isso, os pesquisadores brasileiros tiveram a ajuda da especialista colombiana Ximena Londoño na descrição.
“A espécie se destaca pelo tamanho. Passa facilmente dos 20 metros de altura e seu diâmetro tem, em média, de 10 a 12 cm”, explica Filgueiras. O bambu comum é menor, com cerca de 15 metros de altura, e mais ou menos 8 cm de diâmetro.

arte

Compare as duas espécies. (Foto: Arte/G1)

Os pequenos detalhes do Guadua magna também impressionam. Quando o colmo é jovem, ele é protegido por uma espessa camada de folhas para evitar a ação de animais. “Essas folhas são duras, marrons e grandes, revestidas por pêlos urticantes. No topo há uma lâmina estreita. É uma figura bem estranha”, conta o pesquisador.

Quando a planta já é adulta, ela chama a atenção pela quantidade de ramificações. O bambu central se divide em outros, que se subdividem de novo até cinco vezes. “De longe, você vê uma coisa rendada, bastante bonita”, diz Filgueiras. Mas não se encante muito. Nos nós da planta, espinhos que chegam a 3 cm evitam a aproximação de predadores e curiosos.

Divulgação

Divulgação – Planta já é usada por moradores do interior de Goiás. (Foto: UnB/Tarciso Filgueiras)

Futuro

O “superbambu” está descoberto e descrito, foi devidamente divulgado entre os cientistas durante um congresso da área, mas e agora? “Vamos continuar a pesquisa”, responde Tarciso Filgueiras.

O primeiro passo é identificar um misterioso rato que estaria associado ao Guadua magna. “A população da região fala de um grande roedor noturno que se alimenta do taquaruçu. Não há nenhum registro científico de um animal como esse por ali. Há um parecido na Amazônia e outro no Chaco. Mas não nessa região.”

O passo seguinte é estudar as propriedades físicas e químicas da espécie, o que vai ser responsabilidade do Ibama. O objetivo é dar destinação econômica para a planta, já largamente utililizada pela população para fazer casas e móveis. “Tudo começa com a destinação. A partir daí fica mais fácil lutar pela preservação. Espero que no futuro seja possível até criar uma unidade de conservação para proteger o taquaruçu”, afirma o pesquisador.

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