Segundo turno no Timor-Leste transcorre em tranqüiliadade

Agência EFE

Lusa – Ramos-Horta com Xanana Gusmão, no comício de encerramento da campanha

Os timorenses votaram nesta quarta-feira para escolher um novo presidente, com promessas de respeito mútuo entre os candidatos José Ramos Horta e Francisco “Lu Olo” Guterres, sem o registro de incidentes e com supervisão de tropas da ONU e observadores internacionais.

O segundo turno das primeiras eleições presidenciais do Timor-Leste como nação soberana foi marcado pela normalidade e por um índice de participação possivelmente inferior aos 81% registrados no primeiro turno, em 9 de abril.

O chefe da missão de observadores enviada pela União Européia (UE), o espanhol Javier Pomes Ruiz, disse em Díli que “provavelmente os eleitores estavam cansados”.

“Alguns se perguntavam porque tinham que voltar para votar. Nós acreditamos que algumas pessoas não entenderam a necessidade de votar novamente. Isto ocorreu pela falta de experiência do povo do Timor-Leste”, acrescentou Pomes.

Como em abril, pouco mais de meio milhão de eleitores aptos a votar tiveram nove horas para exercer seu direito em um dos 708 postos de votação instalados em 504 seções distribuídas por todo o país. Algumas delas ficam em regiões remotas, aonde as urnas e cédulas tiveram que ser levadas em helicópteros ou a cavalo. Os dois candidatos votaram de manhã em suas seções e prometeram respeitar o resultado das urnas.

O primeiro-ministro Ramos Horta, candidato independente, é visto como favorito graças às alianças que estabeleceu nas última semanas, apesar de ter ficado em segundo lugar no primeiro turno.

“Não sei quem vai ganhar. Deus e o povo saberão se vencerei ou não. Caso ganhe, assumirei minha responsabilidade como presidente e, se perder, respeitarei a vontade popular e ajudarei meu irmão Lu Olo a manter a paz e a estabilidade”, disse Ramos Horta, primeiro-ministro interino do país desde julho e prêmio Nobel da Paz em 1996.

Lu Olo é o apelido adotado pelo outro candidato, Guterres, durante os anos que combateu na resistência à ocupação indonésia, de 1975 até 1999.
“Quero ganhar ou perder esta eleição com dignidade. Meus seguidores e eu aceitaremos qualquer que seja o resultado do pleito”, assegurou Guterres, apoiado pela Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), o principal partido do país em número de deputados.

Os dois adversários, defensores de ideologias opostas, prometeram promover a reconciliação nacional e acabar com a violência que atinge o país há pouco mais de um ano. O problema fez com que milhares de pessoas, das 150 mil que havia em maio de 2006, se recusassem a abandonar os centros de refugiados.

A instabilidade é fortalecida pelos rebeldes do comandante Alfredo Reinado e também por brigas, quase sempre noturnas, entre estudantes de artes marciais que atuam como gangues urbanas.

O Conselho de Segurança da ONU criou em agosto de 2006 a Missão Integrada no Timor-Leste para ajudar o país a restabelecer a ordem e enviou 1.608 policiais e 34 militares, mas a força internacional não foi capaz de acabar com toda a violência.

“Pude ver nos olhos da população do Timor-Leste que eles acreditam na democracia, que as pessoas estão chorando por paz e reconciliação, e esta é a maneira de solucionar a crise”, disse Pomes.

A equipe de observadores da UE, formada por 38 pessoas, deve anunciar o resultado da avaliação na próxima sexta-feira. A previsão é de que em 48 horas o segundo presidente da República do Timor-Leste seja conhecido. Em 30 de junho, serão realizadas eleições parlamentares, para definir o novo Legislativo e o próximo Governo.

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