Desconfiança entre países impede pacto climático

Evelyn Leopold/Reuters

Ministros que participam de um encontro sobre soluções para a eficiência energética, cortes de emissões de dióxido de carbono e pobreza global não confiam o suficiente um no outro para conseguirem medidas concretas até sexta-feira (11), disseram diplomatas.

A ex-primeira ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, disse que a reunião da Comissão da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, importante organismo da ONU para o meio ambiente, foi prejudicada por “uma falta de confiança profundamente arraigada”.
“Muitos países industrializados acham que os países em desenvolvimento não estão disposto e que estão fazendo muito pouco”, disse ela à conferência na quarta-feira.

Os Estados Unidos, que não se comprometeram com as cláusulas obrigatórias sobre emissões de gases nocivos, querem que a China e a Índia atuem primeiro. Mas a China quer que os EUA assumam um compromisso maior, como a União Européia fez, dizendo que suas emissões de dióxido de carbono, subproduto da queima de combustíveis fósseis, estão bem abaixo dos índices norte-americanos em base per capita.

“Muitos países em desenvolvimento acham que o mundo industrializado falhou na promessa da assistência financeira e técnica”, disse Brundtland. “Muitos países estão preocupados com os custos e com a concorrência e muitos estão relutando em assumir obrigações das quais outros vão escapar.”
Brundtland liderou a comissão ambiental da ONU que desenvolveu em 1987 o conceito de desenvolvimento sustentável.

Países em desenvolvimento temem também que o progresso dos programas ambientais seja feito às custas do desenvolvimento. Um relatório da ONU advertiu que o crescimento de biocombustíveis, como o etanol, resulta em aumento de preços de alimentos, por desviar milho para a produção de combustíveis.

“O progresso no pilar ambiental de desenvolvimento sustentável deve casar com o progresso simultâneo nos pilares sociais e econômicos”, disse Malik Amin Aslam, ministro do ambiente do Paquistão.

A conferência tem por objetivo produzir políticas que causem o avanço das soluções energéticas de longo prazo, que possam contribuir para o desenvolvimento econômico e social, protegendo o meio ambiente.
Mas há poucos novos compromissos. 

Mudança climática

Para isso, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, quer que os países debatam e cheguem a um acordo sobre medidas globais para a mudança climática ainda neste ano.

Ele apontou três enviados — Brundtland, o ex-presidente chileno Ricardo Lagos e o ex-ministro das Relações Exteriores da Coréia do Sul Han Seung-soo — para conversarem com chefes de governo sobre um possível encontro para debater o aquecimento global em setembro. A conferência seria realizada paralelamente ao encontro ministerial da Assembléia Geral da ONU, disse Lagos.

Em dezembro, a ONU pretende lançar em Bali, Indonésia, negociações da Convenção de Mudança Climática, da qual o Protocolo de Kyoto foi um desdobramento. O tratado, que só inclui países industriais, a não ser os EUA e a Austrália, termina em 2012, deixando o mundo sem metas concordadas para reduções de emissões de gases nocivos.

“O tempo para o diagnóstico acabou”, disse Lagos, lembrando os relatórios definitivos da ONU sobre os perigos da mudança climática.
Questionada sobre quem falará com o presidente dos EUA, George W. Bush, Brundtland disse que esta tarefa será deixada para o secretário-geral da ONU.

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