Relatório da ONU esfria entusiasmo sobre biocombustíveis

Lusa

Combustíveis alternativos podem ajudar a reduzir emissões mas terão impacto nos recursos naturais

Biocombustíveis como o etanol podem ajudar a reduzir o super-aquecimento global e criar empregos nas regiões rurais, mas também causar problemas ambientais graves e provocar uma elevação do preço dos alimentos nas zonas mais pobres, alertou a ONU.

No primeiro grande relatório sobre bioenergia da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado terça-feira em Nova Iorque, o organismo tenta refrear o entusiasmo com os biocombustíveis, chamando a atenção para os seus possíveis efeitos prejudiciais.

O texto, conhecido poucos dias depois da conferência do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, sigla em inglês), que se realizou na Tailândia, reconhece a “oportunidade extraordinária” que os combustíveis alternativos representam para “a redução das emissões de gases com efeito de estufa”, mas alerta para que o crescimento rápido da sua produção vai “aumentar a pressão sobre os recursos naturais”, num momento em que cresce também a procura de alimentos e recursos florestais.
O relatório constata ainda que a procura crescente por óleo de palmeira já levou à eliminação de florestas tropicais no sudeste asiático e que esta destruição “pode resultar em emissões de gases ainda maiores do que as criadas pela queima de combustíveis fósseis”.

Greenpeace preocupada com destruição das florestas da Argentina

Várias organizações ambientalistas também já advertiram que a “corrida do ouro” dos biocombustíveis poderá provocar mais danos ao ambiente do que os combustíveis fósseis e levar a elevação do preço dos alimentos nas zonas mais pobres, preocupações também consideradas no relatório da ONU.
Dando como exemplo as florestas da Argentina, a organização ecologista Greenpeace questionou hoje, num relatório, as supostas vantagens para o ambiente dos biocombustíveis e afirma que a expansão das áreas de cultivo da soja e do milho para produzir os combustíveis alternativos provocará uma “destruição em massa” das florestas daquele país. De acordo com o relatório, as crescentes expectativas globais sobre o uso de biocombustíveis implicarão uma “nova pressão para expandir as atividades agrícolas sobre os ecossistemas naturais, provocando uma destruição em massa das florestas nativas no norte da Argentina”.

Outro dos aspectos abordados no relatório da organização ambientalista é o possível impacto nos preços dos alimentos, resultado da alta do preço do petróleo e da maior procura de biocombustíveis.
Segundo prevê a Greenpeace, o rápido aumento na produção de biocombustíveis elevará os preços do milho em 20 por cento até 2010, e em 41 por cento para 2020.

Europa quer dez por cento de biocombustíveis nos transportes até 2010

A Comissão Européia iniciou em 30 de abril uma consulta pública sobre biocombustíveis no âmbito da nova política energética que determina que os Estados membros utilizem dez por cento destes combustíveis no setor dos transportes até 2010.

A política energética europeia, anunciada em janeiro pelo presidente da Comissão, José Manuel Durão Barroso, e aprovada formalmente em Março pelos 27 Estados-membros, prevê ainda que, até 2020, 20% da energia consumida na União Europeia seja produzida a partir de fontes renováveis.
Por seu lado, os Estados Unidos trabalham numa proposta para multiplicar a produção de biocombustíveis por sete até 2022.

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