‘Humor na internet não dá dinheiro"

TIAGO QUEIROZ/AE

NA PORTARIA – Personagem foi inspirado em casos reais. “Brincávamos com a idéia do porteiro atrapalhado, que não passa recados direito”

Rodrigo Martins/LINK

Eles começaram na internet. Mas tiveram de “abandoná-la”. Criadores do famoso Porteiro Zé, o atrapalhado velhinho que trabalha em uma guarita e estreou na web em 2003, os antigos colegas de colégio André Leal, André Bernardes, João Paulo Caruso, Daniel Mantovani e Ricardo Ramos tiram hoje seu sustento do personagem. Mas longe da rede mundial.

Depois de espalhar vídeos de humor pelo site www.porteiroze.com, antes mesmo de surgir páginas como o YouTube, os rapazes querem agora mais é saber de colocar o porteiro em televisão, rádio, celular, camisetas, bonés, cintos e até em revistas de passatempo, como Sudoku.

E a internet, onde fica? “Ela abriu espaço para a gente aparecer. Mas não dá para ganhar dinheiro com humor na web”, diz o ator André Leal, que faz imitações. “Não há patrocinadores, interesse de grandes provedores em investir… Mas vimos que o Porteiro Zé poderia virar o nosso ganha-pão. E virou. Só que tivemos que achar outras formas de usar o personagem.”

Isso inclui campanhas institucionais para empresas, programa na rádio 89FM e vídeos em atrações da Globo, SBT e MTV. A última deles pode ser vista às quintas, no programa A Praça é Nossa, do SBT, onde uma animação digital do porteiro interage com o apresentador Carlos Alberto de Nóbrega.

Criar um personagem virtual que trabalha em uma guarita foi uma história que começou há cerca de quatro anos. Na faixa dos 32 anos, os criadores do porteiro se conhecem desde o colégio. Todos estudavam no bairro de Pinheiros. Os dois Andrés, o Leal e o Bernardes, eram da galera do fundão e sempre curtiram fazer imitações.

Foi quando, em 2003, em uma reunião na casa do ilustrador Ricardo Ramos, a trupe resolveu fazer brincadeiras no micro. “Fizemos várias animações, inclusive do porteiro”, diz Ramos. “Já brincávamos com a idéia do porteiro atrapalhado, que não passa recados direito. Nos inspiramos em casos reais”, diz Leal. As animações foram colocadas em um site pessoal. “Não esperávamos que fosse fazer sucesso. Mas, na primeira semana, foram 500 acessos. Na segunda, mil. Em dois meses, tínhamos 150 mil”, conta Leal.

Foi aí que eles resolveram levar o negócio à sério. Dos cinco, apenas um não largou o emprego. “Mas consigo conciliar as duas coisas”, garante o imitador João Caruso, também publicitário. “O Porteiro Zé virou o nosso sustento”, diz Leal.

“No início, o site tornou o personagem famoso”, diz Caruso. “Quem curtia indicava aos amigos por e-mail.” Mas a web não deu grana. Hoje, o site é um portfólio, onde está o que já foi produzido para a TV e o rádio. Nada é inédito e não há atualização constante.

“Ainda queremos voltar para a web”, diz Ramos. “O vídeo virtual se torna cada vez mais popular. No futuro, teremos mais condições de nos manter na rede. A web será a TV do futuro.”

Veja mais sites de humor com animação

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