Microsoft acusa Linux e software livre de violarem 235 das suas patentes

Do Teknologico 

A Microsoft afirma, neste artigo da Fortune, que o software livre/aberto (SLA) viola 235 das suas patentes e que, por isso, quer receber os royalties a que supostamente tem direito, algo que poderá levar a uma guerra de patentes e, hipoteticamente, acabar com o SLA como o conhecemos.

O artigo especifica as infrações:

  • Kernel (a base de todo o sistema operativo) do Linux: 42 patentes
  • Interface gráfico do Linux: 65 patentes
  • OpenOffice (programa similar ao Microsoft Office): 45 patentes
  • Programas de e-mail: 15 patentes
  • Outros: 68 patentes

Mas quem é que Microsoft irá processar? É que o SLA não é feito por uma única empresa mas por uma comunidade dispersa de empresas e indivíduos e processá-los a todos – especialmente os que se encontram fora da jurisdição dos E.U.A. – é uma tarefa impossível.

As grandes empresas que redistribuem comercialmente o Linux como a Red Hat e a Novell também estão fora de alcance, pois a própria licença do SLA (a GPL – GNU General Public License) proíbe-os de pagaram royalties.

Como apenas os distribuidores do Linux estão abrangidos pela GPL, sobram os utilizadores do SLA, que incluem empresas como o Google, a Wal-Mart, o Goldman-Sachs e muitos outros gigantes da economia norte americana.

Mas a Microsoft tem uma estratégia que se pode revelar fatal para alguns developers de SLA: em 2 de Novembro de 2006 chegou a um polêmico acordo com a Novell que, aproveitando uma falha da GPL, lhe permite vender cupões da distribuição de Linux da Novell (a SUSE Linux Enterprise) sem ser considerada distribuidora de Linux e assim não estar sujeita aos termos da GPL.

O acordo também isenta ambas empresas de todas as violações de patentes existentes entre elas, o que significa que quem quiser ter uma versão “legal” do Linux pode comprar a da Novell e não precisa se preocupar com possíveis processos. Isto pode resultar no abandono das outras distribuições, já que muitas empresas irão preferir comprar uma licença da Novell do que usar uma distribuição que lhes possa trazer complicações legais.

A falha que permitiu este acordo será corrigida na próxima versão da GPL, o que irá prevenir mais ações deste tipo.

Também há quem diga que isto é apenas uma operação de FUD (medo, incerteza e dúvida em inglês), uma estratégia de marketing através da qual a Microsoft pretende assustar os utilizadores, instilando-lhes o tal medo, incerteza e dúvida, e assim evitar a adoção do SLA por parte deles.

Esta ação da Microsoft vem explicitar o que os mais atentos já tinham apontado: o gigante de Redmond está com medo. A sua hegemonia começa a estar ameaçada e basta juntar algumas peças do quebra-cabeça para perceber porque:

  • A sua estratégia para a Internet (Windows Live) não está sendo exatamente um sucesso, os rumores de uma possível aquisição da Yahoo como única forma de fazer frente ao todo poderoso Google são uma prova da fraqueza da Microsoft nesta área.
  • As fracas vendas do Vista, as várias críticas ao seu novo sistema operativo, assim como o crescimento da quota de mercado dos rivais Linux e Mac OS X representam um golpe no seu “core-business” – o software. A Dell – um dos maiores fabricantes mundiais de computadores – anunciou recentemente que ia continuar a trazer o Windows XP nos seus equipamentos (contra as intenções da Microsoft) e também pré-instalar o Ubuntu (uma distribuição do Linux) em algumas máquinas.
  • Para além da Internet, o Google também começa a fazer frente à Microsoft no campo do software. Recentemente, o CEO do Google Eric Schmidt afirmou que as Google Apps – um conjunto de programas que constituem uma alternativa ao Microsoft Office – são uma das áreas estratégicas da empresa para alargar a sua área de negócio e que já têm um número significativo de clientes empresariais.
  • As aplicações Web como as Google Apps representam um perigo real para a Microsoft – são baratas, centralizadas, colaborativas, funcionam em todos os sistemas operativos pois apenas necessitam de um browser e não têm requisitos mínimos de hardware. O único senão é o fato de apenas serem acessíveis através de uma ligação à Internet, mas a próxima geração de browsers irá suportar a sua utilização off-line.

Não percamos os próximos capítulos desta novela. 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s