Petrobras anuncia investimento em Portugal

Danielle Nogueira/DCI

 

A Petrobras anuncia amanhã a ampliação das atividades de exploração e produção de óleo e gás natural em Portugal. O anúncio será feito em Lisboa e consiste em um desdobramento do memorando de entendimento assinado em julho de 2006 com as empresas portuguesas Galp e Partex. Estima-se que os investimentos serão da ordem de US$ 400 milhões.

O presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, confirmou o anúncio, mas não deu detalhes sobre o valor do investimento ou sobre a participação das empresas no projeto. No memorando assinado em julho passado, foi acertado que seriam investidos em uma primeira etapa US$ 5 milhões em estudos geológicos. A participação de cada uma nesta fase foi de 50% para a Petrobras, 30% à Galp e 20% à Partex.

Gabrielli, que esteve no XIX Forum Nacional, no Rio de Janeiro, também informou que os investimentos da estatal entre os anos de 2007 e 2011 devem ser revisados para cima. A previsão atual é de US$ 87,7 bilhões, incluindo aportes no Brasil e no exterior.

A revisão do plano estratégico deverá ser concluída até agosto. Gabrielli reiterou que a meta da empresa é manter o índice de conteúdo nacional em 65% dos investimentos realizados no Brasil, desde que os fornecedores sejam competitivos, e conclamou a indústria produtiva a investir para atender a demanda da estatal. Considerando índice atual, a previsão de compras feitas no País é de US$ 50 bilhões até 2011. Com o possível aumento dos investimentos, esse valor tende a subir.

Restrições

O executivo afirmou que não há restrições financeiras para manter as metas de investimento. Em uma perspectiva conservadora — considerando o preço do barril do petróleo em US$ 35, bem abaixo do que está hoje — a geração de caixa da Petrobras até 2011 é estimada em US$ 87 bilhões. Os projetos, portanto, poderiam ser financiados com a receita da própria companhia. As restrições recaem sobre a qualificação e quantidade de mão-de-obra e sobre a capacidade da cadeia produtiva nacional em suprir a demanda a contento, isto é, bens e serviços a preços de mercado e entregues dentro dos prazos exigidos.

“Temos um desequilíbrio positivo provocado pela retomada do crescimento. É um bom problema. E para solucioná-lo, é preciso que os fornecedores brasileiros realizem os investimentos necessários também”, disse. Pelas projeções da Petrobras apresentadas ontem, serão necessários 732,7 mil toneladas de aço entre 2007 e 2011 para seus navios e plataformas e 6 milhões de litros de tintas e solventes. O pico será o ano de 2008, com 250 mil toneladas e 2 milhões de litros.

Entre os equipamentos mais demandados estão bombas, com 6.250 unidades, e motores elétricos (5.900), além de 15.200 km de cabos elétricos. Quanto à demanda de pessoal, a Petrobras projeta treinar 77 mil pessoas de 720 ocupações até 2008. Com este objetivo, serão realizados 3.200 cursos no âmbito do Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo e Gás (Prominp).

Gabrielli reconheceu que existe um desequilíbrio entre a demanda e a oferta de gás natural e que isso seria equacionado com novos reajustes de preço, além do aumento da produção nacional e da importação de Gás Natural Liquefeito (GNL). O reajuste, segundo ele, conteria o consumo do combustível, que hoje cresce a 17% ao ano. O executivo afirmou que espera resultados financeiros melhores no segundo trimestre, recuperando a liderança perdida para a Vale do Rio Doce entre as empresas de capital aberto na América Latina mais lucrativas. No primeiro trimestre, a estatal lucrou R$ 4,131 bilhões.

Energia nuclear

Também presente no fórum, o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Marcio Pereira Zimmermann, aproveitou o evento para defender a energia nuclear. Segundo ele, será preciso de quatro a oito novas usinas nucleares nos próximos 30 anos para que a oferta de energia no Brasil seja compatível com a demanda. Hoje, a potência instalada no País está em torno de 91,6 MW. No cenário mais otimista, que considera a necessidade de 129 mil MW adicionais, 92 mil MW viriam de fonte hídrica, predominante no Brasil. O restante teria de ser gerado a partir de outras fontes. E em meio a estas, a nuclear se mostra uma das mais competitivas.

Segundo Zimmermann, as hidroelétricas continuam a ter a menor tarifa (R$ 116 por MW/h), mas as que hoje se enquadram nesse patamar e que poderiam ser licitadas no horizonte de 30 anos estão restritas àqueles 92 mil MW. Daí a necessidade de se buscar novas fontes. Como o carvão é poluente e a biomassa ainda enfrenta restrições para ampliar seu uso, a nuclear passou a ser opção. “São critérios de competitividade e ambientais que tornam a energia nuclear mais atrativa”, disse. A tarifa por MW/h na nuclear é estimada em R$ 151,6, abaixo do gás natural, de R$ 175. Cada nova usina nuclear teria 1000 MW ao custo de US$ 2,3 bilhões a unidade.

Quanto ao Projeto do Rio Madeira, Zimmermann afirmou que se não forem obtidas licenças ambientais ainda este mês, as duas usinas do complexo não poderão entrar em operação em 2012, como deseja o Governo Federal, tampouco participar dos leilões de energia previstos para junho, como era esperado.
Neste caso, outras fontes de energia teriam de substituir as usinas. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, por sua vez, afirmou em Brasília que eventuais atrasos nas obras não serão resultantes da suposta lentidão do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Segundo ela, o instituto aguarda respostas do consórcio de construção das hidroelétricas, formado por Furnas e Odebrecht, sobre os impactos ambientais da obra. Somente de posse dessas respostas, é que o Ibama poderá fazer a análise do estudo e se manifestar.

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