Bush e Senado fecham acordo sobre reforma da imigração

BBC-Brasil

Imigrante protesta nos EUA

 

A Casa Branca e o Senado americano chegaram a um acordo nesta quinta-feira sobre um projeto de lei que pode regularizar a situação de 12 milhões de imigrantes ilegais nos Estados Unidos.

O senador democrata Edward Kennedy anunciou o acordo que também estabeleceria um sistema baseado em méritos para a legalização de futuros imigrantes. O presidente americano, George W. Bush, endossou o acordo, que também propõe controle de fronteira mais rígido. Segundo o presidente, a medida é uma “solução muito necessária”.

O anúncio do projeto de lei foi feito depois de meses de debate ríspido entre o Congresso, dominado por parlamentares democratas, e a Casa Branca, do partido Republicano. Bush disse que o acordo oferece um sistema “seguro, produtivo, ordenado e justo”.

“Com este acordo bipartidário, eu estou confiante que os líderes em Washington poderão ter um debate sério, civil e conclusivo, para que eu possa assinar esta reforma abrangente e torná-la lei este ano”, disse Bush, em um pronunciamento.

Sistema de pontos

Depois de pagar taxas para vistos e uma multa de US$ 5 mil (cerca de R$ 10 mil) – e de voltarem a seus países de origem – os imigrantes ilegais nos Estados Unidos poderão se candidatar ao “visto Z”. Os portadores deste visto teriam de esperar entre oito e 13 anos por uma decisão sobre o pedido de residência permanente. Outro ponto importante do acordo é o estabelecimento de um “sistema de pontos”, que daria prioridade à educação dos imigrantes e a suas habilidades profissionais e com o idioma, em vez de facilitar o ingresso das pessoas com familiares nos Estados Unidos.

O acordo também revê os limites para cidadãos americanos trazerem seus pais nascidos em outras nações para os Estados Unidos e estabelece um prazo de dois anos para visto de trabalhadores temporários. Portadores deste visto poderiam renovar seus papéis duas vezes, mas teriam de voltar para casa por pelo menos um ano antes de cada renovação. Além disso, não teriam praticamente nenhuma chance de conseguir residência permanente ou cidadania.

No entanto, todas estas medidas só entrarão em vigor depois que o número de guardas nas fronteiras americanas for dobrado e a cerca que divide o país do México for reforçada.

“O acordo que nós acabamos de alcançar é a melhor chance que teremos nos próximos anos para melhorar a segurança das nossas fronteiras e tirar milhões de pessoas das sombras e colocá-las sob o sol da América”, disse o senador Kennedy. 

Prazo limite

O projeto de lei deve provocar tensos debates no Senado na próxima semana. De acordo com o correspondente da BBC em Washington James Coomarasamy, Bush terá de enfrentar uma nova batalha política quando o projeto seguir para a Câmara dos Representantes. A reforma da imigração tem sido uma das prioridades do governo Bush, depois da chamada “guerra contra o terrorismo”. Muitos dos que tentam entrar ilegalmente nos Estados Unidos morrem nas perigosas fronteiras do país, devido à falta de água e ataques de grupos anti-imigração. O presidente americano disse que quer colocar a nova legislação em prática até o final deste ano.

Especialistas afirmam que este assunto pode emperrar no Congresso e continuar sem conclusões até 2008, ano em que ocorre a eleição presidencial americana.
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