Diretores de Cannes falam sobre passado e futuro do cinema

Por Bob Tourtellotte para a Reuters

CANNES (Reuters) – Diretores renomados, como Roman Polanski, Nanni Moretti, os irmãos Coen e Jane Campion, estão em um filme sobre a história e o futuro do cinema feito em homenagem aos 60 anos do Festival de Cannes.

“Chacun son Cinema” (Para cada um o seu próprio Cinema) traz 35 diretores, que receberam três minutos cada para fazer um pequeno filme sobre o cinema.

Alguns filmes levaram platéias às lágrimas, outros provocaram risos. Alguns apresentam visões políticas e outros falam de amor.

Em geral, o filme dá uma idéia das inspirações de cada diretor e de como eles classificam o principal festival do mundo, na Riviera Francesa. Em alguns casos, falam das ameaças ao cinema.

“A lição é realmente sobre a possibilidade de ver o cinema como uma aventura coletiva”, disse a repórteres o diretor brasileiro Walter Salles sobre seu filme curto, que mostra dois homens em uma vila sul-americana cogitando se verão o filme da Nova Onda Francesa “400 Blows”.

A parte de Polanski é humorística. Mostra um casal vendo um filme erótico em uma sala escura e reclamando de um homem atrás, que está gemendo. O que eles não sabiam é que o homem havia caído da parte superior do cinema e havia machucado as costas. Campion, da Nova Zelândia, fez “The Lady Bug”, sobre uma inseta incompreendida que quer apresentar uma dança no palco, mas acaba sendo esmagada pelo faxineiro, que a considera um incômodo.

MAIS DIRETORAS

Em entrevista coletiva depois da apresentação do filme, com participação de mais de 30 dos diretores, Campion foi questionada sobre o fato de ser a única mulher no palco.

Ele disse que é “triste” não haver mais chance para diretoras, mas afirmou que muitos diretores também sentem isso.

“Acho que o aspecto feminino é muito forte e importante para a humanidade”, disse Campion.

Os diretores Joel e Ethan Coen apresentaram a parte “World Cinema”, em que um caubói norte-americano entra em um cinema de filmes de arte e vê uma fita turca.

No final, ele gosta do filme e quer debater com um funcionário de aspecto boêmio.

O italiano Moretti fala sobre uma lista de filmes que o tornaram amante do cinema e depois brinca, dizendo que seu filho pode querer ver algo de Hollywood em vez de seus próprios filmes, como “The Son’s Room”, que ganhou a Palma de Ouro, prêmio principal de Cannes, em 2001.

Os diretores Atom Egoyan e David Cronenberg fazem previsões sombrias sobre uma forma de arte que já morreu, ou está morrendo, por causa do uso de telefones celulares, câmeras de vídeo e pela influência da televisão.

O filme de Egoyan provocou um debate na entrevista coletiva entre ele e Polanski, que argumentou que novas tecnologias ameaçam o cinema há muito tempo, mas mesmo assim os diretores adaptam-se com novas formas.

“Eu me lembro do mesmo tipo de debate quando surgiram fitas e cassetes”, disse Polanski.

Egoyan disse que foi influenciado por filmes de Polanski a fazer cinema e que, “por um público jovem, agora, (seus filmes) seriam vistos em uma tela pequena e não seriam os mesmos.”

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