Para EUA o planeta é um grande campo de combate

AE-AP

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Irene Khan, da Anistia Internacional: Estados Unidos têm tentado romper com os direitos humanos

Os Estados Unidos tratam todo o planeta como um grande campo de batalha em sua guerra contra o terrorismo, minando direitos em todo o mundo, denunciou hoje o grupo de direitos humanos Anistia Internacional em seu relatório anual.

A secretária-geral da organização com sede em Londres, Irene Khan, afirmou que o comportamento dos Estados Unidos e de seus aliados está estabelecendo um exemplo nefasto para outras nações e que países em todo o mundo estão usando a guerra contra o terror como uma desculpa para violar direitos humanos e reprimir dissidências locais.

“Um dos maiores golpes aos direitos humanos tem sido a tentativa de Estados democráticos ocidentais de reverter alguns princípios fundamentais dos direitos humanos, como a proibição da tortura”, denunciou Khan.

O relatório condena a resposta dada pelos Estados Unidos ao terrorismo internacional, destacando que ela tem tido pouco resultado na redução da ameaça ao mesmo tempo em que aprofunda a desconfiança entre muçulmanos e não muçulmanos e mina o Estado de Direito.

A política da administração do presidente George W. Bush de interpretação extraordinária da lei internacional – a denunciada prática de levar secretamente suspeitos de terrorismo para países onde seriam torturados – foi particularmente criticada.

“O discurso ambíguo do governo dos Estados Unidos tem sido um descaramento”, afirma o relatório. “Ele não se arrepende sobre a rede de abuso global que suscitou em nome do contraterrorismo.”

A posição especial dos EUA no cenário mundial justifica a crítica, explicou Khan.
“Se nos concentramos nos Estados Unidos é porque acreditamos que os Estados Unidos são um país cuja enorme influência e poder devem ser usados construtivamente”, frisou. “Quando países como os Estados Unidos são vistos minando ou ignorando os direitos humanos, eles enviam uma mensagem muito poderosa para outros”, argumentou.

Os EUA, destacou a secretária-geral da Anistia, “são indiferentes ao infortúnio de milhares de detentos e de suas famílias, aos danos causados ao Estado de Direito internacional, aos direitos humanos e à destruição de sua própria autoridade moral, que jamais esteve tão baixa em todo o mundo”.

Países europeus são criticados por não se oporem ao plano dos EUA de transferência de detidos, enquanto fiéis aliados dos americanos como a Grã-Bretanha, a Austrália e o Japão são criticados por aprovarem duras leis antiterrorismo ou antiimigração.

Em seu relatório anual, a Anistia diagnosticou que a chamada “política do medo” criou em 2006 “mundo tão polarizado quanto no auge da Guerra Fria, e de muitas formas é muito mais perigoso”.

“A guerra contra o terror e a guerra no Iraque, com seu catálogo de abusos de direitos humanos, criaram divisões profundas que lançam uma nuvem sobre as relações  nternacionais, tornando mais difícil resolver os conflitos e proteger os civis,” disse Khan.

Para a organização, existe um “arco de instabilidade” que se estende do Paquistão à região conhecida como o Chifre da África, onde estão a Somália e a Etiópia, passando pelo Oriente Médio. Esta seria uma faixa de “Estados falidos”.

Ao mesmo tempo, a comunidade internacional tem se mostrado “indisposta” ou simplesmente “impotente” diante de conflitos como o existente entre Israel e os palestinos.

Tropas israelenses mataram mais de 650 palestinos no ano passado – metade deles civis desarmados, inclusive 120 crianças – um aumento de 300% em relação a 2005. Soldados e colonos judeus cometem “sérios abusos de direitos humanos, como assassinatos extrajudiciais, contra palestinos, e na maioria das vezes impunemente”. O número de israelense mortos por grupos palestinos caiu pela metade no ano passado, para 27, incluindo 20 adultos civis e uma criança.

A Anistia destacou que em muitos países existe uma “agenda política ditada pelo medo”, ampliando o abismo entre “os que têm e os que não têm”. “Estratégias mal concebidas de combate ao terrorismo têm feito pouco para reduzir a ameaça de violência ou para assegurar justiça às vítimas dos ataques, mas têm feito muito para prejudicar os direitos humanos e o Estado de Direito”, disse Irene Khan.

A organização tomou emprestado um termo mais utilizado no campo do ambientalismo – a sustentabilidade – para propor sua visão de segurança pública. “Uma estratégia sustentável promove a esperança, os direitos humanos e a democracia, ao passo que uma estratégia de segurança lida com os medos e os perigos”, comparou a ONG.

“A sustentabilidade exige que se renuncie à tradição de cada superpotência patrocinar seu círculo de ditaduras e de regimes abusivos. A segurança humana é melhor alcançada por meio de instituições que promovam o respeito aos direitos humanos”, disse o relatório.
Irene Khan pediu que governos e políticos em todo o mundo dediquem ao tema dos direitos humanos entusiasmo igual ao que tem sido demonstrado atualmente em relação ao tema das mudanças climáticas.

“Da mesma forma que o aquecimento global requer uma ação baseada na cooperação internacional, a deterioração dos direitos humanos só pode ser combatida através da solidariedade global e do respeito pela legislação internacional”, afirmou ela.

 

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