Espaço livre para a música dos independentes

Do Link.Estadao

Filipe Serrano

 

CLAYTON DE SOUZA/AE

VIVENDO E APRENDENDO – A criatividade do mercado independente é fonte de inspiração para o tecladista

Foi no bar do restaurante francês de um hotel luxuoso em São Paulo que Henrique Portugal, o homem dos teclados do Skank, marcou uma conversa sobre sua vida digital.

Com um copo de licor na mão e cercado de hóspedes estrangeiros engravatados, desde os tempos de Jackie Tequila que Henrique não precisa mais passar pela dureza de ser uma banda independente, com música criativa na cabeça e sem grana no bolso. “Quando a gente começou, tinha de gravar o CD e mandar por correio para as gravadoras, jornalistas, revistas, rádios… O custo era muito alto”, conta.

É, Henrique, muita coisa mudou no mundo da música desde o lançamento do primeiro CD do Skank, em 1993. Mas a fama ou o luxo não afastaram o tecladista das raízes da música independente. Desde janeiro de 2006, Henrique comanda um tipo de programa de rádio virtual que divulga canções de bandas novas em busca do mesmo sucesso que ele tem. Chamado de Frente, o programa vai ao ar todos os domingos no site www.frente.art.br, que também divulga artistas plásticos.

Não é só a plataforma (a internet) que faz do Frente um programa hi-tech. Até porque, depois do sucesso na rede, uma rádio também começou a levar ao ar a seleção independente de Henrique para as cidades do Rio, Belo Horizonte, Vitória, Recife, Fortaleza e Uberlândia. Se não fosse o seu aparato eletrônico, Henrique conta que não conseguiria tocar o Frente.

“Como estou sempre viajando, eu seleciono as músicas, gravo e edito tudo com os softwares no meu notebook. Depois mando para o servidor”, diz. Henrique afirma que recebe as músicas por e-mail, todas em formato digital, e escolhe aquelas que têm mais qualidade. No final, a divulgação acaba ajudando não só os novos artistas. “Normalmente, pela falta de grana, o mercado independente faz um som muito criativo. Com isso, além de divulgar os artistas que estão começando, acabo aprendendo muito com eles”, confessa.

E se depender da profusão de bandas novas na internet, não vão faltar sons para tirar inspiração. Isso porque existem muitos sites em que artistas novos divulgam seu trabalho. Só para citar os mais hypados, os sites Last.fm, TramaVirtual e MySpace são os que têm mais variedade.

Um cara como Henrique, ligado em música independente, deve adorar essa diversidade da era digital. Mas ele lista alguns poréns. “Com a facilidade de gravação, as bandas mal começam e acham que estão prontas para fazer um disco”, critica o tecladista. “O tempo que elas gastariam desenvolvendo uma música de qualidade, com um bom arranjo, com uma boa letra, usam para gravar de uma forma muito rápida em um CD-R ou MP3 de baixíssima qualidade. Passam mais tempo divulgando o trabalho que está no meio do caminho em vez de melhorar a qualidade.”

Uma dificuldade de Henrique é explicar esse problema para as bandas do Frente. Segundo ele, algumas até reagem mal quando ele responde que o som não ficou bom. “Há uma quantidade infindável de bandas e o mais difícil é colocar o pescocinho para fora nesse mar de informações da internet”, afirma.

Veja os sites indicados por Henrique Portugal

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