Eleição do presidente do Bird: Brasil quer participação

Renata Veríssimo para Estadao.com.br

BRASÍLIA – O governo brasileiro quer participar do processo de escolha de presidentes e diretores-gerentes de instituições financeiras multilaterais, como o Banco Mundial (Bird) e Fundo Monetário Internacional (FMI). Em comunicado divulgado na sexta-feira, 25, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu mudanças no processo de seleção para que seja baseada em critérios abertos e transparentes, sem restrições a candidaturas em função da nacionalidade.

“Num momento em que a legitimidade, a representatividade e a eficácia do Banco Mundial e do FMI precisam ser restauradas, seria de lamentar que a escolha do novo presidente do Banco Mundial não fosse baseada no mérito de candidatos apresentados por qualquer dos Estados membros da instituição”, afirma o ministro.

Recentemente, o presidente do Bird, Paul Wolfowitz, foi forçado a renunciar depois de autorizar a promoção e um substancial aumento de salário para a sua namorada, Shara Riza, que também trabalhava na instituição.

À luz destes acontecimentos, Mantega disse que o governo brasileiro apóia a posição tirada no âmbito do G-20 em 2006, segundo a qual a seleção dos altos dirigentes do FMI e do Banco Mundial deve ser baseada no mérito, assegurada uma ampla participação de todos os Estados membros. O G-20 é formado por ministros da fazenda e presidentes de bancos centrais das economias desenvolvidas e das principais economias emergentes.

“Como próximo presidente do G-20, a partir de 2008, o Brasil receberia com satisfação iniciativas que assegurassem uma seleção ampla e transparente, presente e futura, tanto do presidente do Banco Mundial quanto do Diretor-Gerente do FMI”, disse o comunicado.

Segundo Mantega, desde a criação do FMI e do Banco Mundial, há 60 anos, tem prevalecido o entendimento informal de que um cidadão norte-americano, indicado pelo presidente dos Estados Unidos, seja escolhido como presidente do Bird enquanto o diretor-gerente do FMI é escolhido por indicação acertada entre os principais países da Europa Ocidental.

“O governo brasileiro entende que tal costume não encontra fundamento na realidade contemporânea, constituindo anacronismo que deve ser superado no contexto das instituições financeiras multilaterais”, ponderou. O Brasil também defende a continuidade do processo de modernização dos mecanismos de governança dessas instituições.

Na avaliação de Mantega, a revisão da prática da escolha dos altos dirigentes dessas instituições constituiria ação complementar à reforma sobre os critérios de distribuição de quotas, dos instrumentos de atuação e das formas de exercício das missões institucionais tanto do FMI quanto do Bird.

O Ministério da Fazenda informou que comunicado similar também será emitido conjuntamente pelo ministro das Finanças da África do Sul e atual presidente do G-20, Trevor Manuel, e pelo Secretário do Tesouro da Austrália e presidente do G-20 em 2006, Peter Costello.

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