Santos do pau oco

Henrique Bois para o BadauêOnline

 

Segundo gravações da Polícia Federal mostrada para todo o Brasil e que serviu de instrumentalização para o STJ decretar prisões pelo país afora, o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, foi alvo de propina no valor de R$ 100 mil da Construtora Gautama. Rondeau era ministro de Lula apadrinhado do senador José Sarney (PMDB-AP).

A repercussão internacional da saída de Silas Rondeau por suspeita de corrupção ganhou as páginas dos principais jornais do mundo- The New York Times, The Financial Times, e por aí vai. Daí se dimensionar a importância internacional da pasta dirigida pelo maranhense.

Por tudo isso, não se viu uma palavra sequer do ex-presidente da República sobre a saída do ministro. Muito pelo contrário. Logo que observou ser insustentável a situação do seu afilhado político, Sarney correu ao presidente do Senado, o peemedebista alagoano Renan Calheiros, outro suspeito de estar entre os beneficiários da Gautama de Zuleido Veras, tentando a todo custo salvar sua fatia no poder federal de Lula.

Dono de um sistema de comunicação poderoso, capaz de derrubar reputações inabaláveis, o senador José Sarney cultivou o silêncio ardiloso de sempre. Porém, pela primeira vez, preferiu ficar. Não ausentar-se do problema.

Da quadrilha, os Sarney – os senadores e o deputado federal, pai, filha e filho – querem manter distância. Escudados no silêncio estratégico, evitariam assim os respingos da lama chafurdada pela operação navalha. Como a colocar a carne do grupo em posição incólume dos golpes autofágicos.

Mas a senadora não conteve seu ímpeto revanchista e emprestou sua voz de mulher de César a uma das emissoras de sua propriedade. Insinuante, tentou enxovalhar a imagem do atual governador, portando-se como uma vetusta conhecedora do assunto.

Na entrevista cavada, a senadora ensaiava aquilo que viria a seguir, prova cabal a imolar seu algoz político, egresso vitorioso das urnas. Viria o golpe, através das páginas de uma revista venal, contumaz e reconhecida pelos próprios aliados do grupo como prestadora de um serviço torpe à sociedade brasileira.

Por outro lado, os veículos de comunicação da família fecharam os olhos aos outros meios de comunicação que em reportagem comprometem um de seus membros: o engenheiro e empresário da comunicação, Fernando Sarney.

O filho do Sarney é citado como uma espécie de chefe hierárquico do ex-ministro Silas Rondeau, a quem recebia costumeiramente em seu escritório em Brasília. Fernando Sarney tem ligações fecundas com o setor de energia. Ex-presidente da Cemar é responsável pela indicação do engenheiro José Jorge Leite para compor o comitê gestor do programa Luz para todos no Maranhão.

À frente de seus negócios, Fernando Sarney contou sempre com o beneplácito do Ministro das Minas e Energia. É só verificar a quantidade de vezes que a logomarca Eletrobrás, dirigida por Silas Rondeau antes ir para o Ministério, aparece nos projetos conduzidos pela família no Estado.

A logomarca da Petrobrás também virou selo comum nos projetos dos Sarney. Vide o Convento das Mercês. Isso tudo não alimenta o rol de notícias do sistema sobre a Gautama e o esquema de corrupção. Afinal de contas, santo nessa terra somente os de barro. Ou, os de madeira enfileirados na coleção particular do patriarca da oligarquia.

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