Capim pode ser usado como carvão vegetal

Liliane Simeão para o Inst. Nacional dos Distr. de Aço

A matriz energética mundial está baseada em combustíveis fósseis, principalmente o petróleo, o gás natural e o carvão mineral. Esse tipo de energia é esgotável e precisa ser substituído o quanto antes por alternativas renováveis. Isso porque as renováveis são menos poluentes e possibilitam o desenvolvimento sustentável.

Nessa linha, a Embrapa Agrobiologia e o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) vêm desenvolvendo estudos que visam avaliar o potencial do capim elefante como matéria-prima para produção de carvão vegetal. A idéia é substituir o carvão mineral, utilizado na produção de ferro gusa, já que o vegetal é uma fonte de energia mais limpa. O consumo de carvão mineral no Brasil se restringe à indústria siderúrgica, que absorve aproximadamente meio milhão de toneladas por ano.

Atualmente, o carvão vegetal utilizado no País é produzido a partir de eucalipto. Porém, o corte deste tipo de árvore é realizado a cada seis anos, enquanto o capim elefante pode ser cortado anualmente. De acordo com o pesquisador do Embrapa, Segundo Urquiaga (para saber mais), a produtividade do capim elefante também é maior em comparação ao eucalipto. “O capim produz 40 toneladas de massa seca por hectare por ano. O eucalipto chega no máximo a 15 toneladas/ha/ano. As variedades do capim elefante são grandes e podem chegar até a 60 toneladas”, compara.

O capim-elefante, alimento tradicional para gado, é uma gramínea originária da África e bem adaptada ao Brasil. É de grande porte, semelhante à cana-de-açúcar e pode chegar a cerca de 6 metros de altura. “A maioria das empresas que necessita de carvão mineral importa da África. Os compradores estão interessados em ter um carvão livre de energias fósseis”, afirma Urquiaga. “A biomassa de capim elefante é a melhor alternativa, mas a forma de produção ainda estão sendo pesquisada. Há diferenças de pressão de oxigênio, por exemplo”, explica.

De acordo com o pesquisador, o plantio do capim elefante pode ser feito em qualquer lugar onde haja condições mínimas de fertilidade do solo, luz do sol e pluviosidade, particularidade que podem ser encontradas em diversas regiões do Brasil. Por conta disso, Urquiaga afirma que o capim elefante não deve se limitar apenas ao carvão vegetal, mas pode ser também uma fonte de energia alternativa interessante. “Por apresentar um sistema radicular bem desenvolvido, poderia contribuir de forma eficiente para aumentar o conteúdo de matéria orgânica do solo, ou o seqüestro de C (carbono) no solo”, afirma.

A idéia é substituir o carvão mineral pelo carvão vegetal, que é uma fonte de energia mais limpa

USO EM SIDERURGIA

De acordo com o estudo desenvolvido pela Embrapa, de uma forma geral, o teor de carbono nos tecidos vegetais apresenta mínima variação. Na biomassa vegetal do capim elefante o teor de carbono é de aproximadamente 42%. Com isso, uma produção média de biomassa seca de capim elefante de 30 toneladas por hectare ao ano, acumularia um total de 12,6 toneladas de carbono por hectare ao ano. Se toda a biomassa é utilizada na produção de carvão vegetal, e considerando que no processo de carvoejamento apenas 30% da biomassa se transforma em carvão, deduz-se que cerca de 3,8 mg de carbono derivado do capim elefante tem potencial de substituir o carbono mineral usado na produção de ferro gusa. De acordo com o estudo, o carvão derivado da biomassa do capim serve tanto como fonte de energia como na própria composição do ferro gusa.

FERRO GUSA

Minas Gerais compreende hoje 60% de toda a produção nacional de ferro gusa, oscilando entre 4 e 5 milhões de toneladas por ano. É o estado, aliás, que abastece o mercado interno, com 3,1 milhões de toneladas/ano, faturando R$ 1,9 bilhão. As exportações, principalmente para os Estados Unidos, têm sido de grande importância para o setor, respondendo por mais de 70% de tudo que sai do País. Porém, nos últimos meses vem registrando queda, principalmente por conta da desvalorização do dólar. De acordo com o Sindifer (Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais), a eucaliptocultura tem mostrado grande desenvolvimento no estado, que conta com mais de 1,7 milhão de hectares de áreas reflorestadas. Os produtos mineiros de ferro gusa utilizam o carvão vegetal à base de eucalipto como principal matéria-prima.

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