Hora de aprofundar o debate

Por Cynthia Rosenburg do Empresa Verde

A depender de Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, a conferência internacional que começa no próximo dia 12 (veja a agenda no site www.ethos.org.br) será a mais quente da história do Ethos.

Para quem nunca participou da conferência: o evento, que acontece todos os anos, é um dos principais pontos de encontro das pessoas que trabalham com responsabilidade social e sustentabilidade nas empresas, nas ONGs e na academia. Nas últimas edições, o Ethos foi algumas vezes criticado por não dar espaço a discussões mais polêmicas. Este ano, ao que tudo indica, os profissionais do instituto estão decididos a fazer diferente.

Numa reunião com jornalistas, Ricardo Young fez um apelo: sejam críticos e coloquem os participantes da conferência na parede. “Estamos orientando os conselheiros do Ethos a não ter papas na língua e a não usar meias palavras durante o evento”, disse. “Queremos que as pessoas venham com garfos e facas afiados.” O motivo? “Precisamos aprofundar o debate.”

No último ano, a discussão sobre a sustentabilidade ganhou visibilidade na imprensa e nas empresas. Isso, sem dúvida, é bom. O lado ruim é que agora tantas companhias declaram ser socialmente responsáveis e trabalhar pelo desenvolvimento sustentável que fica difícil entender o que é discurso e o que é prática. E, mesmo entre aquelas que colocam, sim, a mão na massa, é difícil saber se o que fazem é mesmo relevante.

“Mesmo as empresas mais avançadas – como, por exemplo, as que participam do Índice de Sustentabilidade da Bovespa – ainda precisam fazer a grande lição de casa”, disse Young.

Por “lição de casa” entenda-se: promover mudanças efetivas na forma como a companhia é administrada, incorporando metas relacionadas ao desenvolvimento sustentável e demandas específicas da sociedade.“Como a empresa reduz o impacto negativo do seu negócio? Como provoca transformações na sua cadeia de valor? Como procura educar o consumidor? Como insere aspectos ambientais na engenharia de produção? Como procura responder aos anseios da sociedade? Muitas perguntas como essas não estão sendo feitas pelas companhias.”Ricardo Young fez um apelo importante aos jornalistas: sejam críticos.

Mais do que isso, acredito que vale um apelo às empresas: sejam consistentes.

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