Clima ruim para negócios dificulta progresso de Angola

Agência Lusa

Os benefícios do elevado crescimento econômico em Angola são limitados pelo clima de negócios no país, um dos piores do mundo, e o ritmo das reformas para estimular o setor privado é “decepcionante”, afirma a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A conclusão sobre o país lusófono consta no relatório da organização sobre perspectivas para a África em 2007, apresentadas oficialmente nesta terça-feira.

“Transformar Angola em uma economia de mercado pujante será um processo que vai exigir um grande esforço, e o contexto atual não facilita as coisas”, já que, apesar do processo de reconstrução, “o ritmo das reformas estruturais é decepcionante”, informa a OCDE. “Os obstáculos ao desenvolvimento do setor privado, sobretudo os casos flagrantes de início de negócios, limitam os benefícios potenciais do crescimento econômico atual”, adianta.

A OCDE lembra a má posição de Angola no ranking “Fazer Negócios” em 2007 (Banco Mundial) – 156ª posição entre 175 países, em queda em relação ao ano anterior. Essa classificação, acrescenta a OCDE, demonstra a existência de “entraves aos esforços dos empreendedores, e, conseqüentemente, à criação de empregos”, devido à “corrupção endêmica e a uma regulamentação ultrapassada”, entre outros fatores. “Os processos administrativos são pesados e a implantação em setores novos e dinâmicos da economia é um privilégio que está reservado a algumas empresas, politicamente influentes”, avalia a organização internacional.

A OCDE nota ainda que Angola aparece na última posição, entre 125 países, no ranking das economias mais competitivas elaborado pelo Fórum Econômico Mundial. “A ineficácia persistente do setor público e os abusos de posição dominante cometidos pelas empresas do Estado em diversas áreas comprometem o saneamento financeiro do território”, adianta. As reformas introduzidas pelo governo a partir de 2003 “ainda não produziram seus frutos”, e o ritmo do país “abrandou” a partir de 2005. Outros exemplos, segundo o documento, são um projeto de lei da concorrência que desde 2004 está para ser entregue ao Parlamento e a estagnação das privatizações, que têm sido discutidas desde 2001.

“Dolarização” e eleições

A OCDE expressa também “preocupação” em relação à dolarização da economia angolana, e à ineficácia de sua infra-estrutura energética, com cortes de fornecimento cada vez mais freqüentes. Isso apesar de apenas 20% da população ter acesso à eletricidade e em Luanda pouco mais de 131 mil lares estarem ligados à rede elétrica.

Em relação às eleições presidenciais, previstas para 2009, a OCDE dá como “quase certo que o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) fique no poder”, em um sistema político com inúmeras falhas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s