Ministra do Meio Ambiente critica desenvolvimentistas

Agência Estado

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Em meio a embates com a equipe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse ontem, em discurso, estar em paz com a consciência e avisou que a licença ambiental para construção das usinas hidrelétricas do Rio Madeira só será concedida se o projeto atender a todas as exigências do Ibama. Durante solenidade em comemoração ao Dia do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto, ela mandou recado para quem defende o crescimento econômico sem garantias de conservação da biodiversidade.

“Com essa visão de opor desenvolvimento à preservação não conseguiremos chegar a lugar algum”, afirmou. Marina Silva negou que a declaração tenha sido um recado à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que estava em viagem a São Paulo. Dilma é gerente do PAC e deixou a colega do Meio Ambiente de fora de uma coletiva, em maio, sobre os primeiros 100 dias do plano.

“Eu não dei recado para ninguém”, disse Marina, comentando o discurso, que foi aplaudido pela platéia formada por ambientalistas, representantes de ONGs e assessores do governo.”Trabalhei com as idéias que estamos trabalhando no governo ao longo de quatro anos para resolver a equação desenvolvimento com preservação.” Ela informou que o Ibama continua avaliando tecnicamente as respostas dadas pelas empresas Furnas e Odebrecht, parceiras nas obras das usinas de Jirau e Santo Antônio, sobre impactos das obras na vida de ribeirinhos e de peixes do Madeira. “Não temos um prazo a colocar, estamos trabalhado com a urgência que têm os processos de licenciamento no Brasil”, disse Marina.

O presidente em exercício José Alencar participou da solenidade para prestigiar a ministra do Meio Ambiente. Alencar disse acreditar que a licença para começar as obras das usinas Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, pode sair até o fim do mês. Ele observou, no entanto, que o assunto é delicado e cabe a Marina Silva anunciar qualquer decisão.

Alencar rasgou elogios à ministra e fez questão de deixar clara sua preferência por ela na queda-de-braço com Dilma Rousseff e com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pede pressa na licença ambiental para as obras das usinas. “Marina Silva é a mais valente e sensata porta-voz deste tempo”, disse Alencar.

A uma pergunta se estava em paz com Dilma Rousseff, Marina respondeu: “Estou em paz em primeiro lugar com Deus e com minha consciência, e isso faz com que me sinta em paz com todas as pessoas”. A ministra do Meio Ambiente disse ter um bom relacionamento pessoal com a colega Dilma Rousseff e que as duas “não confundem” esse relacionamento com posições. “Não trato as coisas como atritos gerenciais, mas como questões complexas, de naturezas diferentes.”

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