G8 apresenta acordo sobre clima como sucesso, mas ambientalistas o criticam

EFE

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O Grupo dos Oito (G8) anunciou nesta quinta-feira (7) um acordo sobre mudança climática que pode abrir caminho para a adoção de metas de cumprimento obrigatório em um novo regime sob o guarda-chuva da ONU, mas que foi considerado insuficiente por grupos ambientalistas.

A chanceler da Alemanha e anfitriã da reunião de cúpula do G8 em Heiligendamm, Angela Merkel, apresentou o acordo em entrevista coletiva que, em princípio, deveria ter sido concedida por um porta-voz de seu escritório. Visivelmente satisfeita, Merkel afirmou que os líderes do G8 – grupo que reúne Estados Unidos, Japão, Canadá, Rússia, Reino Unido, Alemanha, França e Itália – haviam chegado a um documento que inclui “explicitamente” o objetivo de reduzir em 50% as emissões até 2050, e aponta que o processo deve acontecer no âmbito da ONU.

A declaração destaca que os membros do G8 “levam seriamente em consideração” o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPPC), grupo de cientistas reunidos pela ONU que recomenda a redução das emissões de gases do efeito estufa em “pelo menos” 50% até 2050 em relação aos níveis de 1990.

“Preparamos o caminho para que, na reunião de Bali, os ministros do Meio Ambiente possam começar a negociar”, disse Merkel, para quem teria sido uma catástrofe que o encontro que ocorrerá em dezembro na Indonésia começasse sem um mandato dos líderes nacionais. A chanceler alemã, que exerce atualmente a Presidência do G8, reconheceu que foi “difícil” obter um compromisso que mencionasse de forma explícita uma redução numérica, considerando que “os Estados Unidos se retiraram do Protocolo de Kyoto, o Canadá não o ratificou e o Japão tinha seus problemas com ele”.

Os Estados Unidos haviam ido à cúpula com uma proposta de estabelecer um diálogo entre os países ricos e os emergentes, que não incluía metas concretas de redução nem seria realizado sob o guarda-chuva da ONU. Merkel afirmou que acreditava ter convencido o presidente George W. Bush com o argumento de que seria muito mais difícil envolver os emergentes na luta contra a mudança climática se a iniciativa “fosse vista como uma ação singular”, e não como um processo dentro da ONU desde o começo.

Um dos principais motivos pelos quais Washington não estava disposto a ratificar o Protocolo de Kyoto era que este não requeria a participação de países emergentes, como a China, que em breve superará os Estados Unidos como campeão mundial de emissões de gases do efeito estufa. A chanceler destacou a importância de que o acordo seja negociado dentro da ONU, “o fórum multilateral” mais adequado para um acordo que “precisa ter legitimidade jurídica” e “credibilidade” junto à comunidade internacional.

Fontes alemãs destacaram que o acordo foi possibilitado pelo forte apoio do presidente francês, Nicolas Sarkozy, dos primeiros-ministros britânico, Tony Blair, e italiano, Romano Prodi, bem como do presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Durão Barroso.

Blair e Sarkozy ressaltaram que o acordo alcançado hoje é “um grande passo” para enfrentar o problema, mesmo sem metas de cumprimento obrigatório. Sarkozy destacou que esta “é a primeira vez que há um acordo com números” no G8. O presidente francês disse ainda que foi preciso “arrancar” o compromisso de Bush em uma discussão muito intensa, embora não desagradável. “Tive que arrancá-lo (do presidente americano) no final da última reunião” da manhã, afirmou Sarkozy.

O acordo, porém, foi mal recebido pelos ambientalistas. O Greenpeace expressou sua “profunda decepção”, Jörg Feddern, especialista sobre clima da ONG, afirmou que se trata de “um acordo ridículo”, e “menos que pouco”.

O responsável para a Alemanha da organização ambientalista NABU, Leif Miller, também ficou frustrado. O acordo, disse, “é insuficiente” e “não se ajusta em absoluto às reivindicações da comunidade internacional”.

Durante o primeiro dia de sessões da reunião do G8, também foi feito um acordo para abrir um diálogo institucionalizado com os cinco principais países emergentes do mundo: Brasil, China, Índia, México e África do Sul, cujos líderes participarão do encontro amanhã.

Merkel disse que o “Processo de Heiligendamm”, como esta iniciativa já foi denominada, abrirá um diálogo com o G5 (grupo dos emergentes), mas não constitui uma ampliação do G8.

O “Processo de Heiligendamm” foi adotado por consenso com os cinco países em questão, mas só deve ser aprovado formalmente nesta sexta-feira, quando os membros do G8 também tentarão persuadir os líderes dos emergentes a aderirem aos esforços para combater a mudança climática.

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