Pesquisadores conseguem transmitir energia sem o uso de fios

Do CiênciaHoje/PT

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Equipe do MIT:Peter Fisher e Robert Moffatt (à frente), Marin Soliacic (a meio) e Andre Kurs, John Joannapoulos e Aristeidis Karalis (atrás). Imagem MIT

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) anunciaram um novo avanço ao conseguirem acender uma lâmpada transmitindo a energia necessária por meio da tecnologia sem fios. Esta descoberta faz prever que em breve os telemóveis e outros aparelhos eletrônicos possam receber energia sem necessidade de estarem ligados à corrente elétrica.

De acordo com o artigo publicado nesta quinta-feira na Science Express, uma publicação online da Science, o conceito de envio de energia através da rede sem fios não é novo, mas até agora a sua utilização em larga escala tem sido considerada ineficaz, uma vez que a energia eletromagnética gerada iria irradiar em todas as direções.

Um cientista do MIT, Marin Soljacic, descobriu a maneira de fazer a transferência de energia recorrendo a ondas eletromagnéticas direcionadas. A chave é fazer com que o aparelho emissor e o receptor comuniquem na mesma frequência de modo a receber a energia de forma eficiente, sem a perda até agora apresentada.

O princípio é idêntico àquele que permite a um cantor de ópera partir um copo de vidro com a voz, desde que o objeto esteja sintonizado na mesma frequência daquela voz. O avanço agora conseguido no MIT tem a ver com o fato de pela primeira vez se conseguir a transferência eficaz da energia, sem perdas.

Os cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts conseguiram fazer acender uma lâmpada de 60 watts colocada a dois metros da fonte geradora de energia. “Foi uma experiência excitante. O processo utilizado é fácil de reproduzir. Não custa nada regressarmos ao trabalho no laboratório e reproduzir o processo sempre que quisermos”, comentou Marin Soljacic.

Sem necessidade de pilhas

A descoberta permite pensar num futuro próximo em que os aparelhos funcionem sem necessidade pilhas, evitando os problemas associados à sua reciclagem e aos efeitos nocivos dos químicos tóxicos de que são feitas. No entanto, os cientistas ainda têm muito que trabalhar pois o processo desenvolvido no MIT tem uma eficiência de 40% a 45% por cento, ou seja, a maior parte da energia gerada pela fonte emissora não chegou à lâmpada.

Marin Soljacic considerou que o processo tem de pelo menos duplicar a sua eficiência, antes de poder competir com as formas tradicionais de fornecimento de energia aos aparelhos elétricos e eletrônicos. Designado por “WiTricity” (contração de Wireless – sem fios – e Electricity – eletricidade), o processo do MIT vai ser desenvolvido não só para miniaturizar o receptor de energia como para aumentar o alcance.

O objetivo é conseguir, por exemplo, que uma única fonte de energia sem fios possa alimentar todos os aparelhos existentes num dado espaço, como a sala de uma casa. Nos testes até agora efetuados não foram detectados quaisquer danos nos celulares, computadores portáteis e cartões de crédito que se encontravam no laboratório, mas o MIT admite a necessidade de mais estudos.

A não existência de efeitos secundários nesta forma de transformação de energia tem ainda outro efeito, segundo o MIT: a colocação de pessoas ou objetos entre o emissor e o receptor da energia em nada afeta a passagem da energia.

Aqui o site do MIT

Aqui o site da Revista Science

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