Vista a camisa da preservação ambiental

Por Rafael Gué Martini (Jornalista da Sabe Sistemas de Informação) para EcoAgência

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Ao vestir uma camisa você nunca se perguntou de onde veio o algodão ou quem costurou ela? E porque isto lhe interessaria? E se alguém lhe dissesse que ao comprar uma camisa você pode estar incentivando desmatamento e queimadas, colaborando para a poluição das águas ou financiando trabalho escravo?

A resposta a estas questões estão relacionadas ao consumo responsável, que consiste em selecionar a aquisição de bens de consumo de acordo com a impacto sicioambiental que eles provocam – quanto menos estragos na natureza e no homem melhor!

Mas este cuidado não está limitado ao fabricante que coloca o produto nas prateleiras ou cabides para vender. Pegando o exemplo da camisa, o caminho desde o plantio da matéria-prima até o consumidor é chamada de cadeia de valor do algodão. Ser um consumidor responsável significa estar interessado, e procurar saber, se em todas as etapas do processo de produção de um produto há cuidado com o meio ambiente e com as relações humanas.

Fazer este caminho parece uma tarefa difícil, mas seria a única forma do consumidor responsável ter certeza de que não está financiando alguma barbárie – como acontece com a relação entre produtos chineses e o trabalho escravo, por exemplo. Felizmente, com o crescimento deste interesse nos consumidores, estão surgindo algumas iniciativas pioneiras no mundo que buscam tornar claras as cadeias de valor.

No caso das roupas de algodão, uma ONG Holandesa chamada “Solidaridad”, ligada ao mercado e comércio justo, lançou na Europa um selo de certificação chamado Made-By (www.made-by.org). Um botão azul, com o nome do projeto, é costurado nas peças de roupas de diversas marcas que aderiram à iniciativa. Ele indica que o processo de fabricação é sustentável, desde a matéria prima até o consumidor.

Quem compra produtos com este selo está colaborando para que isso continue sendo possível nas próximas gerações. Mais que isso, através de um código que se encontra na etiqueta das peças é possível verificar quem cultivou, fiou, teceu e costurou a roupa. Basta entrar no site da Made-By, inserir o código e conferir cada etapa do processo, com os contatos de cada empreendimento, link para seus sites e informações sobre suas certificações. Uma iniciativa louvável, por enquanto só disponível no mercado europeu.

No Brasil, a cadeia de valor do algodão é uma das menos integradas. Em função disso gera muitos impactos negativos no ambiente. Queimada de áreas florestais para o cultivo; utilização de trabalho precário, escravo e infantil nas lavouras e na costura; poluição dos mananciais de água com resíduos químicos nas estamparias e tinturarias são alguns dos problemas existentes. Por isso a relevância de um projeto como o Made-By em nossa terra.

Mas para que aconteça mesmo é necessária a pressão dos consumidores, que na europa já estão bem mais exigentes na hora de investir seu dinheiro, cobrando Responsabilidade Socioambiental de seus fabricantes. Na próxima vez que vestir a camisa, pense nisso.

O Encontro Brasileiro de Responsabilidade Socioambiental (www.geracaoresponsavel.org.br), que acontece em Florianópolis de 15 a 18 de agosto, será uma oportunidade para saber destas e de outras iniciativas nesta área. Lá os participantes podem conferir o que as indústrias estão fazendo para preservar nosso ambiente. Bom levar um bloco para anotar o nome dos preferidos na hora de consumir.

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