Dúvidas sobre o futuro pós-transposição margeiam o Rio São Francisco

Isabela Vieira para Agência Brasil

Barreiras (Bahia) – Ao se percorrer os 134 quilômetros da BR-160 que separam as cidades baianas de Bom Jesus da Lapa e Ibotirama, gasta-se mais tempo que se deveria. O trajeto poderia ser feito em cerca de uma hora, mas os buracos na pista fazem a viagem durar mais de três horas.

À beira da estrada, estabelecimentos comerciais e casas simples. Nos quintais, pequenas criações de bode e cabra. Ao fundo da paisagem, a espinhosa caatinga. Conforme se avança no caminho, a vegetação começa a ganhar cor. O verde de alguns pastos aos poucos se transforma em lavouras de  milho e feijão de corda. Algumas, cultivadas em regiões que até março e abril estavam alagadas pelo cheia do Rio São Francisco.

Na cidade de Ibotirama, às margens do rio, os irmãos pescadores Alcides Alves Rodrigues, de 67 anos, e Alceno Alves Rodrigues, de 71, esperam a visita do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Eles querem saber quais mudanças as obras de transposição do rio podem acarretar em suas vidas. Temem que o número de peixes, que vem diminuindo paulatinamente nos últimos anos, acabe de uma vez.

“Hoje não é natureza quem manda no rio, é o homem”, diz Alcides. “Hoje o povo está querendo saber mais do que Deus”, completa Alceno. Ontem (14), o ministro esteve no local para conhecer um pequeno porto privado, marco inicial das obras de duas hidrovias que totalizam 1,3 mil quilômetros. Na construção da primeira delas, descendo o São Francisco, serão revitalizados 607 quilômetros, de Ibotirama a Juazeiro. Na outra, entre Ibotirama e Pirapora (MG), os 734 restantes.

Segundo Geddel, em ambos os trechos serão feitas obras de desassoreamento (retirada de sedimentos do fundo do rio); desrocamento (retirada de rochas) e recuperação das margens. “Aqui em Ibotirama, já temos um viveiro com 250 mil plantas. São espécies nativas que estamos começando a plantar nas margens, recompondo as matas ciliares e evitando os pontos de assoreamento”.

O diretor de Revitalização de Bacias da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco, Jonas Paulo, informou que atualmente são transportadas cerca de 750 toneladas no trecho de Ibotirama a Juazeiro. “Com as obras, grandes embarcações poderão carregar até cinco mil toneladas, disse ele, que também esteve em Ibotirama. O orçamento para as obras da hidrovia, previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), somam R$ 100 milhões. Segundo ele, a revitalização de hidrovias no São Francisco tem como objetivo aumentar a capacidade de escoamento da produção de soja, milho e algodão produzidos no Oeste da Bahia e reduzir o tempo do percurso, já que hoje bancos de areia atrapalham a navegabilidade do rio.

Enquanto o ministro percorre o porto de barco, os irmãos Alcides e Alceno observam a visita da margem do rio. E dizem concordar que educação ambiental e fiscalização devem atuar juntas para preservar a vida do São Francisco. “Muitos insistem em pescar na piracema, e um peixe que ia dar mil, morre de uma vez”. 

Veja o Infográfico

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