Chirac perde a imunidade e pode ter que enfrentar a justiça

Do Último Segundo

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Muito discreto desde o fim de seu mandato, o ex-presidente da França Jacques Chirac pode voltar aos holofotes, mas desta vez na seção judiciária, pois o fim de sua imunidade como chefe de Estado o expõe a eventuais convocações.

Os advogados da viúva de um magistrado francês encontrado morto em 1995 em Djibuti acusaram nesta quarta-feira Chirac de ter protegido as autoridades deste pequeno país africano, onde Paris tem uma importante base militar.

Chirac, 74 anos, se manteve muito discreto desde o dia 16 de maio, quando transmitiu os poderes a seu desafeto Nicolas Sarkozy.

A imunidade do presidente acaba um mês após o fim de seu mandato. Logo, ele será um simples cidadão francês a partir de sábado.

O nome de Chirac foi associado a uma série de casos políticos e financeiros na época em que ele era prefeito de Paris e presidente do poderoso partido RPR (atual UMP).

Para Chirac, o caso judiciário mais preocupante é o dos empregos fictícios do RPR pagos pela prefeitura de Paris.

Neste caso, seu ex-primeiro-ministro Alain Juppé foi condenado em 2004 a 14 meses de prisão com direito a sursis e a um ano de inelegibilidade.

Mais recentemente, o nome de Chirac foi mencionado no escândalo Clearstream, com um misterioso caso de denúncia caluniosa contra Sarkozy.

Nesta quarta-feira, o jornal semanal francês Le Canard Enchaîné afirmou que dois juízes já convocaram Chirac como testemunha neste caso.

Os assessores do ex-presidente desmentiram ter recebido uma convocação, assim como o Ministério Público de Paris.

Segundo o jornal, os magistrados querem ouvir Chirac sobre a agenda de um ex-membro dos serviços secretos, o general Philippe Rondot, onde estão anotações como “instrução do PR”, que poderia significar “presidente da República”.

Questionadas nesta quarta-feira, a ministra da Justiça, Rachida Dati, e a porta-voz do governo, Christine Albanel, afirmaram não ter recebido nenhuma informação sobre a sorte de Chirac na justiça.

“O presidente da República é agora um cidadão como os outros”, disse terça-feira o primeiro-ministro François Fillon.

Chirac enfrenta agora um novo problema: a morte do juiz Borrel. Djibouti afirma que foi um suicídio, mas os investigadores franceses privilegiam a tese do assassinato.

Vários documentos dos ministérios das Relações Exteriores e da Justiça, sugerem que o Estado francês fez todo o possível para satisfazer as exigências de Djibuti e preservar assim seus interesses econômicos e militares neste país.

Os advogados de Borrel acusaram nesta quarta-feira Chirac de ter “sugerido ao presidente de Djibuti, Ismael Omar Guelleh, de atacar a França na Corte Internacional de Justiça (CIJ)” para obter o caso em que aparecem os nomes de várias personalidades de Djibuti.

“Estes fatos podem constituir juridicamente um caso de traição”, afirmou o advogado Laurent De Caunes.

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