Novo passo de aproximação ao mundo ortodoxo

Por Octavio Carmo para AgênciaEcclesia

O Papa Bento XVI deu hoje mais um passo de aproximação ao mundo ortodoxo, ao assinar uma declaração comum com o Arcebispo ortodoxo do Chipre, Crisóstomo II.

Classificando o encontro como “fraterno”, os dois líderes cristãos falam do crescimento das relações entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, no seu conjunto, em especial no diálogo teológico.

“Queremos declarar de comum acordo a nossa sincera e firme disposição de intensificar a busca da plena unidade entre todos os cristãos”, refere o documento, divulgado em italiano e em grego no site oficial do Vaticano.

“Desejamos que os fiéis católicos e ortodoxos do Chipre vivam fraternamente e na solidariedade plena fundada sobre a fé comum em Cristo ressuscitado”, prosseguem.

Os dois líderes falam do trabalho da Comissão Mista Internacional para o diálogo teológico, que se prepara para enfrentar “as questões mais duras que marcaram as vivências históricas da divisão”.

“É necessário atingir um acordo substancial para a plena comunhão na fé, na vida sacramental e no exercício do ministério pastoral”, pode ler-se.

Este é um ano crucial para as relações entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa. O encontro de Ravenna entre os representantes do Vaticano e de todas as Igrejas Ortodoxas vai debater a questão da autoridade do Papa na Igreja.

O homem forte do Vaticano para o diálogo com as Igrejas cristãs, Cardeal Walter Kasper, disse esta semana ter esperança em uma aproximação com  Moscou, com um possível encontro entre o Papa Bento XVI e o Patriarca ortodoxo russo Alexis II “no prazo de um ano”.

O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos disse à agência italiana SIR que “muito depende das circunstâncias externas e da situação interna da Igreja russa”, mas frisou que o Papa está disponível para o encontro e que o mesmo acontece com Alexis II. Entre os ortodoxos, disse ainda, “ninguém se opõe ao encontro”.

Ao contrário do que acontecia com João Paulo II, o Patriarca Ortodoxo de Moscou não descarta uma possível visita de Bento XVI à Rússia, desde que os problemas existentes sejam resolvidos. Entre eles, o que tem maior destaque é o alegado proselitismo da Igreja Católica em territórios da antiga URSS, para além do uniatismo (termo com o qual os ortodoxos se referem aos cristãos de países de tradição ortodoxa em união com o Papa).

Apesar dos avanços verificados desde a eleição papal de Bento XVI, o acordo sobre estas matérias não se afigura fácil, dado que o Vaticano nega qualquer intenção proselitista e defende o direito de cada pessoa a tomar a sua própria decisão confessional. O mais provável é que o encontro entre os dois líderes cristãos tenha lugar num terreno “neutro”.

Uma das hipóteses aventadas para 2007 foi deixada de lado, quando Bento XVI decidiu não inaugurar os trabalhos da próxima reunião da Comissão mista internacional para o diálogo teológico católico-ortodoxo, na localidade italiana de Ravenna.

Apesar da importância que poderia ter uma plataforma de entendimento com a Rússia, parece claro que o Papa já identificou qual o principal tema em que se deve concentrar o diálogo católico-ortodoxo: a questão da autoridade da Igreja, sobretudo o que diz respeito ao papel do próprio Bispo de Roma na comunidade eclesial universal, tendo consciência da tradição de sinodalidade nas Igrejas Ortodoxas.

Ao longo do ano passado, Bento XVI confirmou a sua intenção de estar na linha de frente do diálogo ecumênico, com especial destaque para as relações católico-ortodoxas.

Ao receber o Primaz Ortodoxo grego no Vaticano – a primeira visita oficial do gênero desde 1054 -, o Papa abriu caminho para desenvolvimentos significativos no campo das relações entre cristãos da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa”.

Quase mil anos após o “cisma” que separou o Oriente e o Ocidente cristãos, Bento XVI e o Primaz grego assinaram uma declaração comum, na linha daquela que fora assinada entre o Papa e o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, dando continuidade ao diálogo católico-ortodoxo – uma das prioridades deste pontificado – no mais alto nível.

Na sua viagem à Turquia, Bento XVI manifestou abertura para uma discussão relativa às formas de exercício do ministério petrino, mas a declaração conjunta assinada com Bartolomeu I deixava nas mãos da Comissão Mista Internacional Teológica – que regressou aos trabalhos em Setembro de 2006, em Belgrado – a missão de aprofundar as questões levantadas pelo debate em volta do tema “Conciliariedade e Autoridade na Igreja” a nível local, regional e universal.

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