Pequim admite retomar ‘diálogo construtivo’ com Vaticano

Ag.Lusa

O governo chinês admitiu nesta terça-feira, pela primeira vez, ter conhecimento de que o papa Bento XVI prepara uma carta aos católicos chineses e disse estar “disposto a conduzir um diálogo construtivo e a procurar formas de melhorar a relação com o Vaticano.”

“A China sabe que o papa pretende enviar uma carta pastoral aos católicos na China. Esperamos que o Vaticano reconheça a liberdade de culto e de religião na China e o desenvolvimento da Igreja Católica na China”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Qin Gang.

Tradução

A mensagem do papa aos católicos chineses, que já está em fase de tradução, vai propor uma solução para o impasse sobre a nomeação dos bispos, sugerindo um sistema de consultas prévias entre Pequim e o Vaticano para que os dois lados cheguem a um consenso quanto aos novos bispos a serem nomeados, informou uma fonte da Igreja Católica não-oficial.

A declaração do porta-voz do governo, durante uma entrevista coletiva de rotina na manhã desta terça-feira, foi a primeira reação de Pequim à mensagem que Bento XVI enviará aos fiéis chineses, propondo uma nova relação entre a China e a Santa Sé.

O porta-voz ressaltou, no entanto, que qualquer melhoria das relações bilaterais terá sempre de se sujeitar aos “dois princípios de base”, a fórmula que Pequim usa para justificar a proibição da Santa Sé de nomear os bispos chineses e para exigir do Vaticano o corte de relações com Taiwan.

Segundo a fonte da igreja, que pediu anonimato porque a Igreja Católica chinesa não-oficial opera na clandestinidade no país, a Santa Sé “pode passar a sugerir uma lista de nomes a Pequim, que emitirá depois a sua opinião, cabendo a decisão final ao Vaticano”. O sistema, caso seja aceito pelo governo chinês, será semelhante ao que vigorou em Portugal antes do 25 de abril de 1974 (data da Revolução dos Cravos, levante de militares portugueses que colocou fim à ditadura no país) e que o Vaticano usa para lidar com países onde não existe liberdade.

O corte de relações com Taiwan é algo que o Vaticano já se mostrou disponível a fazer de imediato, mas a Santa Sé recusa a nomeação dos bispos católicos por Pequim. Atualmente, cerca de 80% dos bispos da Igreja Católica oficial chinesa são aceitos pelo Vaticano, mas Pequim continua considerando a nomeação dos bispos pela Santa Sé uma ingerência ilegítima nos assuntos internos do país.

Igrejas oficial e clandestina

A nomeação de bispos é a principal causa de separação entre as duas Igrejas Católicas existentes na China, a oficial e a clandestina. A não-oficial conta com cerca de 10 milhões de fiéis no país, que celebram missas em casas particulares e permanecem fiéis ao papa, sendo, por isso, alvos de perseguição.

Já a Igreja Católica oficial chinesa, que conta com cerca de 4 milhões de fiéis, encontra-se subordinada ao Estado, assim como as outras quatro religiões autorizadas por Pequim (budista, taoista, islâmica e protestante).

Em 1951, a China cortou relações diplomáticas com o Vaticano, levando a Santa Sé a reconhecer Taiwan, ilha que tem um governo próprio desde 1949 e reclama a independência da China, mas é vista por Pequim como uma província separatista que precisa ser unida a todo o custo.

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