492/ O meio ambiente na tela do cinema

IZAKELINE RIBEIRO para o Diário do Nordeste

Desde o sucesso do documentário ´Uma verdade inconveniente´, um novo filão vem ganhando espaço em Hollywood: os filmes ambientais

A indústria cinematográfica internacional está apresentando uma nova temporada de filmes ecologicamente corretos, cujas histórias têm como base a preocupação com o aquecimento global e a destruição do meio ambiente.

Entre os que devem entrar em cartaz no Brasil até 2009, ´The happening´, de M. Night Shyamalan, ´Avatar´, de James Cameron, ´Transformers´, produzido por Steven Spielberg e até mesmo de ´Simpsons – O filme´ encabeçam a lista. Para reforçar a leva, o produtor Gary Ross, de ´Quero ser grande´, prepara o remake de ´Creature from the black lagoon´ (Criatura do lago negro), de 1954, também relacionado às questões ecológicas.

Entre outros longas que já exploraram esta temática estão ´Erin Brockovich´ (2000), com Julia Roberts, ´Silkwood – O retrato de um coração´ (1983), com Meryl Streep, e ´Ameaça subterrânea´, com Steven Seagal. Já imagens de um mundo após a destruição podem ser conferidas na série ´Mad Max´ e em ´Extermínio 2´.

Em ´The happening´ uma família tenta fugir de uma crise natural de grandes proporções, que ameaça seriamente a vida humana. Estrelado por Mark Wahlberg, o longa-metragem será uma superprodução e tem estréia mundial prevista para o início de 2008. Já em ´Transformers´, que tem estréia nacional prevista para 20 de julho, robôs guerreiros de um planeta vizinho transformado em lixão desembarcam na Terra, que enfrenta uma devastação similar.

O vilão é outro

Os grandes assassinos, aliens, terroristas e ditadores já não têm mais crédito nessas produções. Os filmes ecológicos de Hollywood buscam alarmar os espectadores, com direito a muitos efeitos especiais. No remake do terror ´Creature from the black lagoon´ que será filmado no segundo semestre, um grupo em expedição à Amazônia é punido pelos crimes cometidos em nome de empresas multinacionais que exploram a área. Produzido pela Universal Pictures, o longa promete tirar o sono de muita gente, com cenas de um monstro resultado de mutações provocadas pela poluição industrial.

No entanto, essa nova onda de filmes traz uma idéia a mais para a consciência ambiental: a humanidade não é visto como vítima. ´Avatar´ pode ser um bom exemplo disso. A aventura de ficção científica acontece numa época em que os homens já acabaram com todos os recursos naturais da Terra e agora buscam novas fontes de riqueza em outros planetas. Os moradores das terras invadidas contra-atacam. Previsto para chegar às telas no início de 2009, a superprodução conta com tecnologia de ponta em relação aos efeitos especiais, com um orçamento em torno de US$ 250 milhões.

Desvantagem

Enquanto a produção americana caminha para o catastrofismo, os filmes brasileiros e alguns europeus seguem uma linha considerada didática, cansativa e porque não dizer: ´chata´. Essa tem sido a preocupação de alguns cineastas brasileiros engajados na defesa do meio-ambiente. Mesmo com o crescente número de mostras de cinema ambiental, as produções locais só encontram espaço nesses encontros que reúnem, principalmente, defensores da causa ambiental.

A diretora, roteirista e produtora Ariane Porto acredita que o cinema é uma ótima ferramenta de conscientização, mas que pode ser melhor aproveitada, integrando a produção ao conteúdo. ´Nós precisamos ajustar a técnica ao conteúdo. Nós temos um assunto bem interessante, mas produzimos filmes precários, cansativos´, afirma. No mesmo sentido, o realizador Roberto Tietznann comenta que os produtores de cinema ambiental devem buscar o diálogo com quem ainda está inativo na causa. ´Se radicalizar muito, o público pode se afastar´, diz.

Desta forma, o discurso constitui o ponto chave destas produções que, em sua maioria, estão no formato de documentários. Tanto Ariane como Roberto concordam, sem desmerecer o formato, que a causa ambiental poderia ser melhor abordada através de ficção ou animações. ´Nós temos animadores brasileiros fantásticos e usamos muito pouco essa ferramenta, que tem um impacto enorme em diversos públicos´, destaca Ariane, que escreveu e dirigiu ´A ilha do terrível rapaterra´. O filme direcionado ao público infantil, traz a história de luta de um grupo de crianças contra Rapaterra, um ladrão de terras que devasta as terras e polui o os mares.

´O meu é um filme de aventura e poucos atuam nessa direção, de levar diversão baseada na temática´, afirma. Ariane recorda ainda da qualidade do infantil ´Tainá´. Romper com o preconceito contra o cinema ambiental é um dos maiores desafios enfrentados pelos cineastas. O grande número de festivais e espaços dedicados ao cinema ambiental reflete o crescimento do interesse do público que quer, sim, saber mais, conhecer mais, porém da melhor forma possível.

Imagens sem restrição das leis da física e que até então não eram visíveis e sim, apenas sugeridas. A ilusão de uma hiper-realidade, na qual tudo parece mais real são algumas das principais vantagens do cinema digital. Para Roberto Tietzmann, realizador de filmes como ´Neue Welt – Novo Mundo´ e ´Não permita Deus que eu morra´, o advento dessa nova ferramenta é capaz de dar um novo fôlego ao cinema ambiental e brasileiro de forma geral. ´Há uma noção mais democratizante, oferecendo mais qualidade de edição a custos mais acessíveis e assim mais pessoas podem expressar suas idéias´, comenta.

No entanto, o cineasta destaca que abusar das inovações também pode deixa o espectador cético das imagens. Tietzmann explica que todo avanço tem exageros no início e com o tempo vai chegando ao equilíbrio. Para ele, a possibilidade de projetar ou mesmo especular o cenários futuros, além de dar visibilidade à realidades bem particulares, como experiências de comunidades revelam uma grande oportunidade para o cinema ambiental.

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