505/ Comportamento de risco entre jovens custa alto para o Brasil

Do G1

juventude

Um estudo do Banco Mundial divulgado nesta segunda-feira (25) mapeou a incidência de comportamentos de risco entre jovens no Brasil. Apesar de três quartos (mais de 30 milhões) dos jovens brasileiros se considerarem felizes consigo mesmos e com suas situações de vida, o relatório mostra problemas na educação e altas taxas de desemprego e homicídio entre eles. Esses comportamentos negativos têm gerado altos gastos para a sociedade.

O relatório explica que jovens em situação de risco são pessoas que pela presença de determinados fatores assumem comportamentos danosos para si mesmos e a sociedade, incluindo abandono precoce da escola, ociosidade (sem estudo, nem trabalho), uso de drogas, comportamento violento, iniciação sexual precoce e práticas sexuais arriscadas. Esses comportamentos de risco têm conseqüências negativas como HIV, gravidez na adolescência, uma vida de pobreza e morte prematura.

De acordo com a pesquisa, a sociedade arca com cerca de R$ 1 bilhão com serviços sociais em decorrência do comportamento de risco gerado por um deteminado contingente de jovens (com faixa etária entre 15 e 24 anos) com comportamentos negativos durante toda a vida. 

Segundo o estudo, uma estimativa de gastos do governo com prisão, julgamento e reclusão de jovens criminosos atingiu R$ 478 milhões em 2002. Ainda de acordo com o relatório, a economia brasileira deixará de gerar R$ 755 milhões devido ao abandono precoce da escola.

Políticas Públicas

Os gastos com jovens são cerca de 6% do total de gastos sociais do governo, aponta o estudo. As duas faixas etárias onde os investimentos são os mais baixos no Brasil são a primeira infância e a juventude.

De acordo com o Secretário Nacional de Juventude, Beto Cury, foram gastos até 2005 cerca de R$ 1 bilhão em políticas públicas específicas para os jovens. “Este valor hoje é maior. Há também outros tipos de investimentos que não entram nessa conta, como o Fundeb, que aporta R$ 4 bilhões. Existem os programas do Ministério da Saúde para os jovens e vários outros”, explicou o secretário, apontando valores gastos pelo governo com os jovens.
No Brasil, a população de 15 a 24 anos totaliza 50,5 milhões de indivíduos. Cury afirma que desse total, 9,5 milhões estão fora da escola e desempregados. E desses, 4,5 milhões também não possuem ensino fundamental. O estudo do Banco Mundial aponta que cerca de 60% dos jovens brasileiros entre 15 e 19 anos são trabalhadores não-pagos ou sem carteira assinada.

De acordo com a pesquisadora do Banco Mundial, Wendy Cunningham, é difícil calcular o número exato de jovens em situação de risco no Brasil porque a pesquisa utiliza vários parêmetros diferentes. “Sabemos que na América Latina esse valor chega a 40% do total de jovens”, disse. 

Diferenças regionais e internacionais

A pesquisa também revela que os comportamentos dos jovens diferem muito entre as regiões do país, e que são necessárias estratégias específicas para tratar de suas causas e conseqüências. De acordo com o relatório, jovens do Distrito Federal e de Santa Catarina são os menos expostos ao risco. No geral, a boa pontuação é atribuída ao bom desempenho escolar, menos repetência e mais emprego no setor formal. Os estados de Pernambuco e Alagoas estão no extremo oposto, considerados os piores da lista.

O relatório também faz comparações internacionais. As taxas de anlfabetismo entre os jovens brasileiros do sexo masculino, em particular, são o dobro das de outros países populosos da América Latina. O Brasil também tem um dos índices mais altos de homicídio do continente, superado apenas pela Colômbia e por El Salvador, onde as altas taxas são atribuídas a um conflito civil. A cada ano, mais de 100 homens em cada 100.000, com idade entre 15 e 29 anos, são assassinados no Brasil.

Na comparação com os países vizinhos, o Brasil se destaca positivamente em decorrência de iniciativas agressivas do governo e da sociedade para promover práticas sexuais seguras. Somente 36 de cada 1.000 jovens brasileiras entre 15 e 19 anos tiveram um filho, menos que em todos os outros países da América Latina. “O Brasil está fazendo bem em comparação a outros países. Principalmente nas políticas de educação sexual. Mas ainda tem muito mais para fazer em todos os outros setores”, afirma Wendy Cunningham.

O relatório “Jovens em situação de risco no Brasil” sugere a necessidade de identificar e conhecer programas mais eficazes, além de desenhar novas estratégias de trabalho a partir do que já está dando certo. “Temos uma dívida enorme com a juventude. Até dois anos atrás não existiam no Brasil políticas específicas para os jovens. Atualmente são cerca de 800 mil jovens participando de programas do governo em todo o país e ainda temos um caminho muito longo”, afirmou Beto Cury.

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