513/ Congresso discute venda da Serasa para o Grupo Experian

Ana Paula Lobo*com informações de Agências de Notícias e reportagem de Luiz Queiroz para o Convergência Digital

serasa

O Grupo inglês Experian, depois de meses de negociações, anunciou oficialmente a compra de 65% das ações da Serasa. O negócio envolveu a  aquisição das ações dos bancos Bradesco, Itaú e Unibanco e é estimado em US$ 1,2 bi. 

A concretização do negócio inquietou o Congresso Nacional. O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Cãmara Federal, Deputado Júlio Semeghini (PSDB/SP), quer discutir a aquisição em Audiência Pública.

Isso porque a Serasa, além de deter a maior base de análise de crédito do país, também é responsável pelo fornecimento de certificados digitais para quase todos os grupos financeiros participantes do Sistema de Pagamentos Brasileiro – SPB. A Serasa responde por 60% do mercado de crédito no país e atende, hoje, cerca de 3,5 milhões de consultas/dia.

Os rumores sobre a venda da Serasa não eram novos. A negociação com o próprio grupo Experian já acontecia há algum tempo. Tanto é assim que, em abril, a Serasa chegou a solicitar à CVM – Comissão de Valores Mobiliários – para abrir capital, mas o pedido não foi adiante em função, exatamente, dos boatos de uma possível aquisição por grupos estrangeiros. Até hoje, por exemplo, o pedido da Serasa está em ‘análise’ na CVM.

A negociação, agora, concretizada, uma vez que o grupo irlandês de análise de crédito Experian anunciou, por meio de comunicado, nesta terça-feira, 27/06, a compra de 65% do controle da Serasa por US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 2,32 bilhões).  No informe, o Experian adianta ainda que nos próximos seis meses, a participação do grupo na Serasa deve chegar a 70%.

Os bancos Itaú, Unibanco e Bradesco, que controlam a Serasa, informaram a assinatura do contrato de venda com a Experian hoje, por meio de comunicados enviados ao mercado. Segundo os comunicados, a Experian pagará R$ 925,78 por cada ação da Serasa e a liquidação financeira dessa operação ocorrerá até o final do mês de julho.

Após a operação, a fatia do Bradesco no capital da empresa passa de 26,50% para 8,36% (corresponde à venda de 676.503 ações ordinárias), do Itaú vai de 32,63% para 10,29% (832.176 ações), e do Unibanco cai de 19,17% para 6,05% (489.195 ações ordinárias). Os três bancos, assim, continuam acionistas e indicarão membros do conselho de administração.

A Serasa, que reponde por 60% do mercado no Brasil, tem mais de 300 mil clientes diretos e indiretos e atende hoje cerca de 3,5 milhões de consultas por dia, além de empregar 2.400 pessoas no país. A instituição também tem um papel crucial no fomento da Certificação Digital no Brasil.

A Serasa é uma das oito empresas certificadas pelo ITI – Instituto de Tecnologia da Informação – para ser uma AC – Autoridade Certificadora. Na prática, ela é executora das Políticas de Certificados e normas técnicas e operacionais aprovadas pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil.

Cabe à AC-Raiz emitir, expedir, distribuir, revogar e gerenciar os certificados das autoridades certificadoras de nível imediatamente subseqüente ao seu. Não há informações ainda oficiais se o grupo Experian planeja ou não manter o negócio de certificação digital.

Mercado-chave

O Grupo Experian é fornecedor de serviços analíticos e de informação a organizações e consumidores. A empresa é listada na Bolsa de Valores de Londres (London Stock Exchange), tem 13.500 funcionários em 36 países (atendendo a clientes em mais de 60 países) e gera receitas anuais de US$ 3,5 bilhões.

No comunicado oficial ao mercado, o grupo Experian revela que o Brasil é um dos maiores mercados de crédito na América Latina, em pare em função do momento positivo do ambinete macroeconômico. Também ainda está em expansão pelos padrões dos mercados mais desenvolvidos.

Segundo o Experian, a demanda por crédito tanto entre consumidores como entre empresas cresce rapidamente no Brasil e, para o novo controlador da Serasa, “há espaço considerável para o futuro desenvolvimento do mercado de hipotecas”.

Não à toa, o executivo-chefe do Grupo Experian, que atua em 60 países, completou o comunicado oficial da transação afirmando que a ‘aquisição da Serasa representa uma oportunidade única para a Experian’.

O negócio deverá passar pelo crivo dos órgãos reguladores brasileiros, e agora, também pelo Congresso Nacional, uma vez que o deputado Júlio Semeghini, PSDB/SP, presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara Federal informou que vai solicitar uma Audiência Publica emergencial para debater o assunto.

O temor do parlamentar é que a base de dados da maior empresa de análise de créditos do país esteja, agora, sob a tutela de um grupo estrangeiro, que responderá por 70%, num prazo de seis meses, do controle acionário da Serasa.

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