518/ Censura descarada em nome da "segurança da rede"

Por Luiz Queiroz do Blog Capital Digital

Li hoje uma reportagem feita pela colega Camila Fusco, do portal Computerword, que me deixou um tanto encafifado. Segundo a matéria da jornalista, a Caixa Econômica Federal decidiu restringir o acesso “de mais de 60 mil funcionários à Internet”.

Trata-se de mais uma mirabolante “política de acessos”, inventada por censores de plantão. Inclusive, o autor da façanha tem nome e cargo: Jeter Ribeiro, Gerente Nacional de Políticas de Gestão de Pessoas.

A navegação controlada a mais de 80% dos funcionários”, conforme matéria de Camila, tem, a meu ver, o objetivo claro de censura prévia, prática que achava ter sido banida no país depois da Ditadura Militar. Mas não, sempre há quem se disponha a prestar esse papel, não importando qual a sua linha ideológica

Existem meios suficientes e eficazes para se vigiar o comportamento de funcionários na Internet, quando estes estiverem acessando-a por uma rede privada. Aliás, creio que este banco oficial já gastou milhões de reais justamente no controle da sua rede. Impedir agora o acesso à Internet dos seus funcionários, nada tem a ver com “política de segurança”. É mera censura, uma descarada forma de se controlar os funcionários.

O gerente nacional ainda tem a desculpa, de que delegou para 14 mil gerentes a responsabilidade “por determinar o que os seus subordinados podem ou não navegar”. Outra balela, se o objetivo é ter uma política de segurança de rede.

Se 14 mil pessoas poderão definir graus de acesso e navegação na rede mundial de computadores, isso significa que, basta que um  gerente ignore por completo essa norma, e toda a rede do banco estará novamente comprometida.

Melhor seria esse Gerente Nacional cuidasse daquilo que é realmente importante: O sigilo bancário dos clientes da Caixa Econômica Federal. Este,sim, já foi vilipendiado pelo banco, no episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, o algoz do ex-ministro Antonio Palocci.

Esse filme eu já vi…

No Serpro já tentaram bloquear os acessos de funcionários à Internet, principalmente aos portais de notícias que traziam informações que não agradavam os diretores. No Banco do Brasil já chegaram ao cúmulo de clonar páginas de portais de notícias, para iludir os funcionários com a informação de que estes estavam fora do ar.

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