527/ Partido Verde, dividido, faz 20 anos com isolamento da ala de Gabeira

Do Vermelho

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Passados 20 anos de sua criação, o PV vive complicado processo de amadurecimento, com divisão interna entre “verdes históricos” e os pragmáticos, que não têm militância no movimento ecológico — mas são maioria. O racha veio com o crescimento: em quatro anos, o PV abriu a porteira para filiações, conseguindo mais que dobrar sua bancada. Dos cinco deputados federais eleitos em 2002, saltou para 13 no ano passado.

“Deputados vindos do movimento ecológico são minoria no partido. A maioria que tem o poder é não-ecológica”, confirma o deputado Fernando Gabeira, principal nome da ala minoritária. “Temos pessoas com experiências diferenciadas. Mas hoje todo mundo é meio-ambientalista”, atenua o presidente do partido, José Luiz Penna.

Ele admite que hoje “é realmente fácil entrar no PV”. Exemplo da diversificação da bancada é o baiano Edigar Evangelista dos Santos, o Mão Branca, cujo destaque no currículo são 15 discos de forró. Filiado ao PV desde 2003, o cantor ganhou notoriedade depois que a Câmara decidiu proibi-lo de usar chapéu cangaceiro, à Lampião, no plenário da Casa.

Símbolo da legenda e dono da maior votação entre os verdes, Gabeira sofre com o domínio dos pragmáticos. Há dois meses, foi preterido na comissão do Congresso que estuda o aquecimento global. “Faço meu trabalho. Pequenas retaliações, como me colocar em suplência de comissões, entendo como leves — até porque não atingem a minha auto-estima”, afirma Gabeira.

Afinando a bancada

Os “verdes históricos” foram escanteados desde que Marcelo Ortiz saiu vitorioso da disputa contra Sarney Filho pela liderança do PV. As divergências entre históricos e pragmáticos provocam reuniões tensas da Executiva Nacional. Em março, a cúpula do PV quase partiu para briga, com ameaças até de tiros, segundo relato de integrantes do partido.

Alfredo Sirkis, candidato derrotado ao Senado, tentou enquadrar os pragmáticos: “Não-verde que quer aprender pode ficar no partido. Bandido, não”. O PV — que estuda sua entrada no Bloco de Esquerda — votou a favor da criação da CPI da Crise Aérea. “Estamos afinando a bancada”, diz Penna.

Atualmente, o partido tem 14 parlamentares na bancada federal da Câmara. Também diz contar com 56 prefeitos, 773 vereadores, 1.852 diretórios municipais e 173.487 filiados.

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