548/ Igreja católica oficial chinesa ressalta as boas intenções de Bento XVI

Do Último Segundo

A Igreja católica oficial chinesa saudou nesta segunda-feira as “boas intenções” de Bento XVI, dois dias depois da divulgação de uma carta na qual o Papa pede o respeito a uma “autêntica liberdade religiosa” na China.

“A carta do Papa destaca suas boas intenções”, declarou o vice-presidente da Associação Católica Patriótica da China, Liu Bainian, que representa a Igreja controlada pelo Partido Comunista Chinês (PCC).

“O Papa expressou seu amor e interesse pelos fiéis da China (…), é um tom novo”, destacou.

“As cartas papais anteriores se opunham ao comunismo e ao socialismo e queriam punir os membros da Igreja patriótica chinesa”, acrescentou.

“Agora a situação é diferente; o Papa tenta compreender a Igreja chinesa”.

A reação de Bainian é bem diferente da manifestada pelo ministério chinês das Relações Exteriores após a publicação da carta de Bento XVI aos católicos chineses, sábado, no Vaticano.

A chancelaria chinesa pediu à Santa Sé que não crie novos obstáculos na melhoria da relações bilaterais.

Um porta-voz do ministério reiterou as duas principais exigências de Pequim: ruptura das relações diplomáticas entre o Vaticano e a ilha de Taiwan – que para a China é um território rebelde cuja soberania lhe pertence – e o direito de nomear bispos.

O Vaticano já se declarou disposto a aceitar a primeira condição, mas considera a segunda inaceitável.

Em sua carta, Bento XVI destaca que uma “autêntica liberdade religiosa” implica a total liberdade papal para nomear bispos.

Para tentar acalmar os ânimos depois da enérgica reação do governo chinês, o porta-voz da Santa Sé afirmou no domingo que Bento XVI não buscava um enfrentamento e não fez nenhuma acusação contra Pequim.

“A Igreja oficial chinesa não pode ver com maus olhos esta carta, pois pede a unidade dos oficiais e dos clandestinos”, opina Dorian Malovic, jornalista que é autor de vários livros sobre o catolicismo na China.

Os católicos da China (entre 8 e 12 milhões, segundo o Vaticano) estão divididos entre a Igreja oficial e a Igreja clandestina, fiel à Roma.

“Eu acredito que se pode retomar um diálogo, claro que de forma extremamente discreta, por canais diplomáticos paralelos”, acrescentou o especialista, que considerou a carta um “documento fundador”.

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