547/ Sem novas verbas, Metas do Milênio ficam ameaçadas

Laura MacInnis para Reuters

O mundo terá dificuldades de atender às metas da ONU para a erradicação da miséria até 2015, mas elas podem ser alcançadas caso países ricos ampliem seus orçamentos de ajuda internacional, disse na segunda-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Apresentando um relatório que marca a metade do prazo para as metas, Ban culpou a falta de verbas para o desenvolvimento pelos resultados “dúbios” na redução da mortalidade infantil, da fome e da Aids e na ampliação do ensino básico, áreas definidas como prioritárias em 2000.

“A falta de qualquer aumento significativo na assistência oficial ao desenvolvimento desde 2004 torna impossível, mesmo para os países bem governados, cumprir as Metas de Desenvolvimento do Milênio”, disse o chefe da ONU.

O forte crescimento econômico na Ásia ajudou a reduzir o número de pessoas no mundo que vivem com 1 dólar ou menos por dia, mas o relatório da ONU diz que permanecem os desafios no acesso a água potável, na redução das taxas de mortalidade infantil e materna, na preservação da biodiversidade na inclusão da mulher no mercado de trabalho.

A África Sub-Saariana, lugar mais pobre do mundo, tem dificuldades em acompanhar outras regiões e tem necessidades urgentes na sua luta contra a Aids, a malária e a tuberculose, assim como na medicina básica e na educação.

Apesar de tais obstáculos, Ban disse ainda ser possível alcançar as metas internacionais até 2015.

“Se adotarmos ações com compromissos sérios, coordenados, acho que é alcançável”, disse ele a jornalistas em Genebra, acrescentando que os países em desenvolvimento precisam fazer das metas uma parte central dos seus planos de governo.

Os países ricos precisam “agir agora” para melhorar os fluxos internacionais de ajuda, e o Grupo dos Oito principais países industrializados deve cumprir sua promessa de dobrar a ajuda à África até 2010, disse ela.

Só cinco países –Dinamarca, Luxemburgo, Holanda, Noruega e Suécia– cumprem a antiga meta da ONU de dedicar 0,7 por cento de seu PIB à ajuda internacional. No ano passado, os doadores desembolsaram 103,9 bilhões de dólares, o que representa apenas 0,3 por cento da soma de seus PIBs.

O relatório da ONU cita progressos significativos na meta de reduzir pela metade até 2015 a proporção de pessoas vivendo na miséria, o que o relatório diz ser possível caso as atuais tendências se mantenham.

Cerca de 980 milhões de pessoas, ou 19 por cento da população dos países em desenvolvimento, viviam com menos de 1 dólar por dia em 2004, uma redução expressiva em relação aos 1,25 bilhão de pessoas (32 por cento do total) em 1990.

Mas o grupo ActionAid disse que havia 800 milhões de pessoas passando fome em 2000 e 854 milhões agora.

O relatório da ONU diz ainda que o mundo está muito longe de cumprir as metas relativas a água potável e saneamento básico.

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