588/ Desenvolvimento sustentável "à francesa"

John Elkington *& Jodie Thorpe*/ Época Negócios

Groupe_Danone

Apesar de serem famosos pela qualidade de sua comida e de seus vinhos, os franceses não são conhecidos pelo seu apetite por desenvolvimento sustentável. Mas as coisas podem estar mudando, com empresas como Danone, Lafarge e Suez avançando nessa área.

A Suez adotou a sustentabilidade em sua busca de oportunidades de mercados relacionados a energia, água e infra-estrutura. A Lafarge lidera a indústria de cimentos no que diz respeito à divulgação de informações sobre as emissões de gases do efeito estufa. Ainda mais interessante é o Groupe Danone, conhecido pela marca de água Evian e pelos iogurtes.

A Danone não apenas comprou uma das principais empresas de alimentos orgânicos dos EUA, a Stonyfield Farm, como também acaba de formar uma inovadora parceria social com o Grupo Grameen em Bangladesh – e existem conversas sobre o lançamento de um fundo bastante incomum para dar apoio ao microcrédito em todo o mundo.

O presidente do conselho de administração e executivo-chefe da Danone, Franck Riboud, explica que estas iniciativas fazem parte da campanha da empresa para estimular a “globalização positiva”.

Essa atitude diferencia Riboud de muitos de seus conterrâneos, que se sentem pouco à vontade no que diz respeito à maneira como a globalização está se desenvolvendo. Ele acredita que novos modelos de negócios podem tanto ajudar as multinacionais a se adaptar às novas pressões de mercado inerentes à globalização quanto a atender as necessidades dos que, até agora, ficaram fora do sistema de mercado.

Assim como os acadêmicos C.K. Prahalad e Stuart Hart, que trabalham nos EUA e mostraram que se pode fazer dinheiro em mercados na “base da pirâmide”, Riboud acredita que empresas como a Danone podem superar o desafio. “Existem três bilhões de pessoas vivendo com € 2 por dia”, diz. “Por que não criar um modelo negócios que possa funcionar com esse gigantesco grupo da baixa renda? Não por caridade, mas com a idéia de dividir lucros.”

Em 2006, Riboud formou uma parceria em Bangladesh com o Grupo Grameen, fundado e capitaneado por Muhammad Yunus, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz no mesmo ano.

Yunus é famoso por sua iniciativa no campo do microcrédito, que envolve empréstimos aos muito pobres. Essa parceria concluiu a primeira de 50 fábricas de iogurte que têm sua construção planejada em Bangladesh.

A primeira planta custou € 700 mil, mas a expectativa é de que a segunda fábrica custe 30% deste valor, permitindo que os habitantes locais se tornem acionistas do projeto. Os produtos são elaborados para ajudar crianças subnutridas a recuperar a saúde.

Esse tipo de iniciativa têm raízes profundas na Danone. O negócio foi fundado em 1966, inicialmente como uma empresa de embalagens, e mais tarde se transformou no grupo mais importante do setor alimentício na França.

Quando Franck Riboud ocupou o lugar de seu pai, Antoine, há dez anos, ele decidiu expandir a Danone internacionalmente – baseado na estratégia de baixo custo, que envolvia o desenvolvimento e oferta de novas categorias de produtos que consumidores mais pobres tivessem condições de pagar. A parceria, por definição, não será lucrativa, mas Franck Riboud argumenta que o empreendimento com o Grameen será um laboratório para a Danone e poderá ajudar a empresa a desenvolver produtos inovadores para mercados do mundo rico.

A Danone tem o plano ainda mais ambicioso de lançar um novo fundo, o “danone.communities”, que irá visar à maximização de objetivos sociais, e não econômicos.

A empresa espera arrecadar inicialmente US$ 135 milhões, com a promessa de taxa de retorno garantida comparável a uma conta de mercado financeiro – cerca de 3% a 4% anuais. O fundo deve ser gerenciado por banqueiros do Crédit Agricole e estará disponível tanto para o público francês quanto para investidores institucionais.

O impacto social de projetos em comunidades locais será avaliado com base em indicadores como contribuições para a saúde pública, redução da subnutrição e mitigação da miséria, sem perder de vista impactos ambientais.

Acionistas da Danone que estiverem interessados poderão reinvestir todos ou parte dos dividendos do fundo sob a forma de “dividendos sociais”. Para a Danone, o retorno se dá na reputação da empresa, em sua “licença para operar” e em sua habilidade de atrair e manter talentos. Na votação sobre o lançamento do fundo, 99.8% dos acionistas votaram a favor.

Jodie Thorpe, gerente do programa da SustainAbility para economias emergentes. John Elkington é fundador da SustainAbility

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Um comentário sobre “588/ Desenvolvimento sustentável "à francesa"

  1. nossa que fabrica mas boa os iorgutes sao fantasticos vale a pena beber os produtos danone beijos:

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