596/ Rússia propõe "sistema mundial de defesa"

De O Primeiro de Janeiro

Na resposta à pretensão dos Estados Unidos em colocar um escudo de defesa no Leste da Europa, a Rússia propõe modelo global e singular de defesa anti-míssil, “com participação equitativa de muitos Estados e com acesso de todos eles ao comando desse sistema”.

A Rússia vai propor aos Estados Unidos e à Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN) a criação, em conjunto, de um sistema global de defesa contra mísseis até 2020, estando para isso, segundo o vice primeiro-ministro russo, Serguei Ivanov, disposta a trocar “tecnologias sensíveis”. Numa entrevista ao canal de televisão russa, difundida ontem, o dirigente russo defendeu as últimas iniciativas do Kremlin de cooperação militar como alternativa ao plano dos Estados Unidos da América de instalar o seu escudo anti-mísseis na Europa do Leste, perto das fronteiras russas.

“Propomos a criação, aproximadamente até ao ano 2020, de um sistema global único de defesa contra mísseis, com participação equitativa de muitos Estados e com acesso de todos eles ao comando desse sistema”, referiu Serguei Ivanov na entrevista, citada pela agência “Interfax”.

Especificou que a Rússia dirige este convite aos Estados Unidos da América, “atual líder mundial em tecnologias”, bem como aos países membros da OTAN e a todos os outros Estados europeus, incluindo os neutros, como a Áustria, a Finlândia ou a Suécia. Serguei Ivanov acrescentou que esta alternativa russa a um escudo anti-míssil global dos Estados Unidos da América e da OTAN implicaria “a troca de tecnologias militares muito sensíveis”, o que favoreceria todos os participantes e contribuiria para criar “um clima de maior confiança”. “Isto alteraria toda a arquitetura de segurança e o nível de confiança mútua, porque as partes, ao terem acesso equitativo, já não se considerariam inimigos ou rivais e deixariam definitivamente no passado a Guerra-fria”, referiu.

Escudo anti-míssil

Os Estados Unidos da América projetam instalar um radar na República Checa e uma dezena de interceptadores na Polônia como elementos do seu escudo anti-mísseis, compatível no futuro com o da OTAN, para se defenderem de possíveis ataques de países como o Irã ou a Coréia do Norte. No entanto, a Rússia, já irritada pela expansão contínua da OTAN em direção às suas fronteiras, considera que este projeto é dirigido contra ela e que ameaça a sua segurança, pelo que ameaçou apontar como resposta os seus mísseis contra os países europeus implicados.

O principal argumento de Moscou é que países como o Irã demorariam de cinco a quinze anos para produzir mísseis próprios de longo alcance, embora Serguei Ivanov tenha assinalado ontem que a Rússia nunca questionou “o fato de a proliferação de tecnologias de mísseis constituir uma ameaça grave para a segurança de muitos países, a Rússia incluída”. Ao mesmo tempo, afirmou que a eventual instalação de elementos do escudo norte-americano no velho continente “não somente criaria uma ameaça militar para a Rússia, como faria aumentar os riscos políticos” para toda a Europa.

Nova linha de divisão

Com este projeto dos Estados Unidos da América “tenta-se enfrentar a Rússia conjuntamente com a Europa para criar uma nova linha de divisão, um novo Muro de Berlim”, advertiu Serguei Ivanov, um dos favoritos para substituir no próximo ano no Kremlin o atual presidente russo, Vladimir Putin. Serguei Ivanov, antigo titular de Defesa e atual responsável pela indústria militar e altas tecnologias, defendeu também a cooperação entre a Rússia, os Estados Unidos e a OTAN para criar um sistema comum de avaliação dos riscos estratégicos no mundo.

“Devemos juntos avaliar os riscos e criar um sistema anti-mísseis que garanta a segurança tanto dos Estados Unidos da América, como dos seus aliados da OTAN e da Rússia”, sublinhou. E acrescentou que Moscou propõe que as conversações multilaterais sejam celebradas no âmbito do Conselho OTAN-Rússia, enquanto que os Estados Unidos da América negociam a instalação do seu escudo apenas com Praga e Varsóvia e sem realizar consultas com a totalidade dos países aliados.

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