604/ Municípios baianos unidos pela expansão da farinha de feijão caupi

Do Jornal Agora

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O Presidente da Associação dos Municípios da Serra Geral e Bacia do São Francisco (Amavale), e prefeito de Igaporã, Deusdete Fagundes ofereceu um café da manhã na Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) com produtos produzidos experimentalmente em seu município, como pães, bolos, tortas e doces feitos com a farinha extraída do feijão-catador (feijão caupi ou de corda). O principal objetivo do encontro, foi mostrar a qualidade do alimento e buscar apoio para o projeto de implantação de um centro de referência em panificação no Sudoeste da Bahia.

O secretário de Integração Regional, Edmon Lucas, e a direção da CAR aprovaram os produtos e se dispuseram a desenvolver parceria com a Amavale. A parceria se dará na implantação de uma unidade produtiva que beneficie toda a região e na capacitação de pessoas para a panificação com a farinha do feijão caupi. Será buscado, ainda, o apoio da Universidade Estadual do Sudoeste (Uesb) e da Conab. Segundo Deusdete Fagundes de Brito, o projeto permitirá a geração de trabalho e renda e o aproveitamento do feijão, cujo valor para comercialização cai em mais de 70% após o pico da safra, prejudicando os microprodutores da região.

Parceria

Paulo César Lisboa, diretor Executivo da CAR, sugeriu uma reunião com a participação dos municípios associados da Amavale e técnicos da CAR e da Uesb para definição dos termos da parceria que será desenvolvida, mas ainda não tem data marcada. A idéia é conseguir o apoio dos 22 prefeitos para aquisição dos alimentos gerados pela unidade produtiva para a merenda escolar. “Se as prefeituras apoiarem, o projeto já terá um grande mercado”, argumenta Lisboa. A Secretaria de Educação do Estado também será um mercado consumidor em potencial.

A produção do feijão-catador vem sendo prejudicada, nos últimos anos, porque o seu principal mercado – região da Grande Fortaleza – está saturado com a própria produção do Ceará, que conta hoje com irrigação em grandes áreas. Para o deputado estadual Gilberto Brito, que desde 2003 luta por incentivos para essa cultura, a parceria com o Poder Público é fundamental para que o feijão-catador não acabe como acabou o bode na região. Presente no café da manhã, o parlamentar reivindica incentivos fiscais para os microprodutores, além da parceria para a implantação da unidade de referência de panificação. A Bahia foi o primeiro estado a plantar esse tipo de feijão, que é originário da África.

Importância

O feijão-caupi, também conhecido como feijão macassar ou feijão-de-corda, é uma das culturas mais importantes do nordeste. Ele tem importância fundamental no contexto sócio-econômico das famílias que vivem nestas regiões, pois fornece um alimento de alto valor nutritivo e também gera emprego e renda, sendo um dos principais componentes da dieta alimentar nas zonas rural e urbana. O feijão-caupi é uma importante fonte de proteínas e carboidratos, e também fibras, essenciais para facilitar a digestão dos alimentos.

Na época do pico da safra do feijão, entre março e abril, o preço cai porque há excesso de produto. Com o projeto no sudoeste baiano o objetivo é buscar o novo produtor rural que está afastado por causa do baixo preço. A parceria com a CAR vai incentivar os produtores, buscando melhorias para o pequeno produtor rural. “Já foi dado o passo inicial pela Amavale, que contratou técnicos, padeiros, estruturando a cadeia produtora do feijão nos 22 municípios que compõem a associação. Esta iniciativa é pioneira e nasceu da idéia do deputado Gilberto Brito”, comenta o técnico químico José Maria, o conhecido Zeca de Melo.

Ele diz que o projeto existe há três nos. “Fomos ao Paraná e vimos o trabalho deles lá, mas aqui conseguimos desenvolver melhor o produto. O nosso processo é feijão 100% natural, com proteína, ferro, cálcio num processo diferente do cozido. O prefeito Deusdete já colocou na merenda escolar das creches e deu certo. Agora vai colocar em todas as escolas municipais e trabalhar nos municípios da associação. Vamos agregar valor aos produtores”, prevê Zeca de Melo.

Já o padeiro Idalino Silva Rocha disse que o projeto é importante porque já está na merenda escolar beneficiando os estudantes. “Agora é preciso que se torne lei, buscando na Assembléia Legislativa esse apoio e colocar o feijão e os produtos da agricultura familiar em toda a merenda escolar da região. Há inclusive rapadura do feijão, feitos em tabletes de 25 gramas cada, que está sendo bem aceito. As crianças disputam os tabletes na escola. Estamos também desenvolvendo a farinha mista de mandioca. Isso tudo é muito bom”.

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