609/ A crise do setor aéreo

Juarez Cintra*para o Estadao.com.br

“Aeroporto fica fechado por seis horas na madrugada”; “Atrasos em Cumbica afetam outros aeroportos”; “Infraero considera impossível prever fim do caos em Guarulhos”; “Vôos atrasados em Cumbica vão a 63%, diz Infraero”.

As frases acima são manchetes dos principais veículos de comunicação de São Paulo nos últimos meses. A alguém cabe o papel de informar a população a respeito do caos, palavra que, na definição dos dicionários, significa “total confusão e desordem”; esta última, por sua vez, tem como significado “tumulto, barulho, revolta”. E revolta quer dizer “levantar-se contra a autoridade”.

Chegamos a um dos pontos-chave do problema: autoridade. Qual delas responderá às indagações daqueles que passam duas, seis, oito horas esperando por um vôo? Quando o problema será resolvido? Como?

No momento em que o País deveria celebrar unido o faturamento crescente e uma boa posição no ranking dos destinos mais procurados, somos confrontados com um dado preocupante: 400 mil turistas deixaram de vir ao Brasil em 2006, motivados pelos problemas no setor aéreo e pela violência nas grandes cidades. A redução é de 6,3 % em relação a 2005, segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT). Ficamos com a 37ª posição entre os países que mais recebem turistas – fomos ultrapassados pela Bélgica no ano passado. O setor cria cerca de 234 milhões de empregos no mundo, mas o governo Lula, que previa 9 milhões de turistas no País em 2007, parece ter mudado os planos – e a expectativa de um cenário plácido foi adiada para 2010.

Só a cidade de São Paulo atrai 10 milhões de visitantes por ano. São pessoas que vêm prestigiar as riquezas do País; não podem e não devem, portanto, ser desrespeitadas, assim como os brasileiros que viajam ao exterior e divulgam a nossa cultura e identidade.

A crise no setor aéreo tem sido uma das principais responsáveis pela redução nas vendas de pacotes turísticos para destinos domésticos. Na férias de julho, houve queda de 35%, em comparação com o mesmo período do ano passado. Um dos motivos é o receio, especialmente das famílias com crianças, de enfrentar horas e horas de filas.

Quando se fala em viagens ao exterior, o cenário é outro. Graças à constante queda do dólar, a expectativa para este ano é de crescimento de 20% nas vendas de pacotes internacionais, em relação a 2006. A situação atual do mercado favorece o crescimento do setor turístico e a baixa da moeda americana não beneficia apenas quem pretende sair do Brasil.

As agências e todo o mercado doméstico poderiam lucrar com o aumento da procura por viagens ao exterior, aumentando as promoções para divulgar destinos internos. Mas surge a dúvida: como a aviação suportaria a demanda, se não conta com estrutura adequada?

Sabemos que existem sérias dificuldades a serem superadas e não podemos mais admitir tal situação. Com a ajuda daqueles que lidam diariamente com o turismo e sabem o real valor do setor, cobramos providências e exigimos mais respeito pela imagem do País.

*Juarez Cintra é Presidente da Abav/SP

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