635/ "Portugal é um país pequeno e fraco"

Do PortugalDiário

Foto: André Antunes

mariosoares

O ex-Presidente da República Mário Soares receia que Portugal não esteja à altura de fazer aprovar o futuro tratado da UE e acha que teria sido melhor Angela Merkel ter conduzido as negociações até ao fim.

“A Alemanha, como maior país da União Européia, passou a bola a um país pequeno e relativamente fraco, em vez de a enfiar na baliza”, disse o histórico político socialista em entrevista publicada esta quinta-feira na edição «on-line» do jornal esquerdista alemão Tageszeitung.

Quando interrogado sobre o que acontecerá se o atual presidente do Conselho Europeu, José Sócrates, que proclamou a aprovação do chamado tratado reformador a grande prioridade da presidência portuguesa da UE, fracassar nos seus intentos, a resposta de Mário Soares foi categórica: “Então, deixará de haver Europa.”

A culpa é da Grã-Bretanha

Soares disse ainda que na Cimeira Européia de junho, em Bruxelas, que encerrou a presidência alemã da UE, Merkel “ajoelhou-se perante britânicos e poloneses, porque a Constituição Européia já tinha sido ratificada por 18 países, e outros dois, Portugal e a Irlanda, estavam prestes a ratificá-la, mas os dois países conseguiram não apenas bloqueá-la, mas fazê-la recuar.

Na opinião do antigo chefe de Estado português, com a renúncia da UE ao Tratado Constitucional, “tudo o que se parecesse com uma Europa federalizada, que estivesse em condições de desempenhar um papel importante na política mundial foi assim riscado.”

O político socialista constatou em seguida que “agora não há tratado nenhum, há apenas um mandato para um tratado que não substitui nenhum dos tratados existentes, uma autêntica confusão.”

Tudo isto sucedeu, disse Soares na mesma entrevista, “porque a Grã-Bretanha não quer uma Europa federal, quer uma zona de comércio livre, e mais nada.”

Os outros países não deviam prender-se com Londres

Mas se o Reino Unido não quer nenhuma Constituição, nenhuma união política e nem uma Europa federal, “os outros países não deviam prender-se com Londres”, sugeriu Mário Soares, classificando o comportamento dos britânicos de ‘inaceitável’.

O antigo líder socialista sublinhou ainda que se a Europa não conseguir ter uma política externa coesa, ‘será o seu ocaso’, recomendando, simultaneamente, que se explique aos cidadãos que não se pretende criar um super-Estado europeu, mas sim uma união política.

Convidado a pronunciar-se sobre a chamada Estratégia de Lisboa, que originariamente se destinava a tornar a UE o espaço econômico mais competitivo do mundo até 2010, Mário Soares disse não compreender porque é que só dois países a implementaram, a Finlândia e a Áustria, ‘e nem sequer em Portugal isso aconteceu’.

Soares advertiu igualmente contra qualquer tentativa de pôr em causa o modelo social europeu, que considerou ‘parte essencial’ da identidade européia e ‘uma vitória da Europa sobre si mesma’, depois da Segunda Guerra Mundial.

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