655/ Saúde no pézinho

Thais Lazzeri para o Crescer.globo.com

O primeiro teste de sangue da vida da criança acaba de comemorar 30 anos no Brasil. Saiba por que seu filho não pode ficar sem essa picada.

testedopezinho

Apenas uma picadinha no pé é suficiente para tranqüilizar pais e mães e afastar enfermidades como deficiência mental, anemia e atraso no crescimento da criança, entre outras. O Exame de Triagem Neonatal, conhecido popularmente como teste do pezinho, completou 30 anos em abril, e no Brasil é obrigatório desde 1990.

Segundo o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), do Ministério da Saúde, cerca de 75% das crianças realizam o exame pelo SUS. Já os demais 25% estão fora de qualquer estatística. Imagina-se que parte dessas crianças faz o teste pela rede privada e outros tantos, lamentavelmente, não levam a picadinha por falta do serviço na região, como no estado de Roraima, ou por desconhecimento da mãe.

O exame engloba quatro enfermidades: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme e fibrose cística, todas referentes a problemas inatos do metabolismo. Os pais devem exigir o teste, que pode ser colhido na maternidade ou realizado em posto de saúde credenciado.

Já na rede privada, além do teste gratuito, as mães ainda têm a opção de realizar em seus bebês o chamado exame master, um teste ampliado que contempla mais de 30 doenças, como galactosemia e toxoplasmose congênita. Em alguns hospitais essa bateria de testes é gratuita, em outros chega a custar R$ 470. “Quem aponta a necessidade do teste ampliado é o pediatra, levando em conta o histórico familiar. Mas, muitas mães pedem para se sentir mais seguras”, afirma Paulo Nader, presidente do Departamento de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Por que é importante?
A principal função do teste do pezinho é detectar precocemente patologias congênitas, relacionadas a distúrbios do metabolismo e infecções. Na maternidade, no posto de saúde ou até mesmo em casa (se a família optar por pagar), o exame deve ser feito depois de 48 horas de vida do bebê, já amamentado. “É o tempo necessário para ativar o metabolismo, pois alguns exames dependem da ingestão do leite”, afirma João Fázio, neonatologista do Hospital Santa Catarina, na capital paulista.

No braço também

O teste do pezinho, por se tratar de uma coleta de sangue, pode ser retirado de qualquer local, e não somente do pé ou do calcanhar da criança. O exame ganhou esse nome porque, nos primeiros programas de triagem neonatal, a coleta era feita na parte lateral do pé do bebê. Na maternidade do Hospital Israelita Albert Einstein, a coleta é no braço por dois motivos: a punção é menos dolorida e porque as mães reclamavam da marca roxa que ficava no pezinho.

Tira-dúvida

Fenilcetonúria (PKU)

Deficiência no metabolismo do aminoácido fenilalanina. O acúmulo no organismo pode causar deficiência mental.

Hipotireoidismo Congênito (TSH T4)

Insuficiência do hormônio da tireóide. A falta de tiroxina pode causar retardo mental e comprometimento do desenvolvimento físico.

Anemia Falciforme e outras hemoglobinopatias

Alteração da hemoglobina. Pode provocar anemia, atraso no crescimento, dores e infecções generalizadas. É incurável.

Fibrose Cística (IRT)

Aumento da viscosidade das secreções, que propicia infecções respiratórias e gastrointestinais. Ataca pulmões e pâncreas. É incurável.

Dados: Apae, São Paulo

Segunda chamada

O resultado do exame é entregue até 20 dias. Se ocorrer algum problema com o teste, há tempo para refazê-lo. O fato de ser reconvocada não significa que a criança tenha alguma doença. Prematuros e bebês com baixo peso têm mais chances de apresentar valores de referência diferentes dos normais. Por isso, pede-se nova amostra. Quando há suspeita de doença, são realizados outros exames e inicia-se tratamento. Se a doença é diagnosticada e tratada a tempo, é alta a chance de evitar complicações e seqüelas.

Amamentação calmante

Bebês amamentados durante o teste do pezinho sentem menos dor. A constatação é da enfermeira Adriana Moraes Leite, do Hospital das Clínicas de São Paulo, que comparou o comportamento de 60 recém-nascidos. Apenas 45,2% dos bebês que estavam sendo amamentados, durante a coleta, choraram. Já 100% dos recém-nascidos que não tiveram a chance de contar com o colo e o leite da mãe, na hora da picadinha, abriram berreiro.

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