656/ Homeopatia, uma medicina entre arte e ciência

Dr.Paulo Rosenbaum para a Semelhante.org.br

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A homeopatia é um saber, uma arte, quem sabe uma ciência. A homeopatia é uma racionalidade médica.

Tudo isto para colocar o leitor em contato com algo que ele, provavelmente, já conhece. Mas será que conhece mesmo? A homeopatia atravessou vários períodos em sua turbulenta travessia de 200 anos. Mas o que será que ela buscava, no que será que ela se inovou e mais no que será que ela ainda pode nos surpreender?

Achamos que tudo isto pode acontecer ao mesmo tempo. A homeopatia usa fundamentalmente quatro alicerces para se localizar: o princípio dos semelhantes, a singularidade de cada paciente, as doses mínimas e o medicamento único.

Mas quais destes conhecemos de verdade? O princípio dos semelhantes deve ser, de algum modo, familiar ao leitor. Trata-se daquela idéia de que se deve dar algo parecido com a doença ao que adoece para que o mesmo possa reagir. As vacinas usam um pouco deste raciocínio. É um antiqüíssimo princípio portanto usado pelos judeus e chineses há quase 4.000 anos.

Já o uso de doses mínimas não foi uma idéia que tenha vindo da cabeça do fundador da homeopatia Samuel Hahnemann (1755-1846) mas sim sistematizada por ele a partir de observações de Hipócrates (c. 400 AC) e de um médico do século XVIII, Van Helmont, que falava abertamente que a medicina deveria explorar melhor as doses tênues (fracas) ao invés de usar doses maciças em suas terapêuticas.

Quanto ao uso de medicamentos únicos trata-se de uma espécie de retomada de um aforismo da Escola Médica de Salerno (que na Idade Média ficou famosa por ter unificado as grandes tradições da medicina em uma só escola) de que em primeiro lugar o médico deveria “não causar dano” ao paciente. Até aqui tudo bem, pois como vimos antes tudo isto já estava na memória da medicina como aspectos que poderiam mais cedo ou mais tarde ser resgatados quando algum médico mais curioso os examinasse.

Mas certamente a grande, ouso dizer, talvez, a maior reinvenção de Hahnemann foi ter percebido que a doença não se resume à doença. Parece estranho? Deixe-me explicar.

A doença não existe sem uma pessoa, um sujeito que lhe dá abrigo. A doença só existe quando há um ser humano com toda sua carga de angústia, afazeres e cercado de um meio, que pode ser mais ou menos hostil, mais ou menos favorável.

Tudo isto varia muito, mesmo que o nome da doença seja exatamente o mesmo. O que queremos dizer afinal é que uma doença não tem autonomia, não vive como entidade isolada e seu habitat pode ser confundido por tantos nomes quantos temos de habitantes no globo.

A doença X está nos indivíduos Y, W e Z. No exame geral parece que é a mesmíssima coisa. Mas ao exame atento cada uma delas vai “reclamar” de uma forma. Vão acabar estabelecendo formas muito íntimas de se fazer falar.

Não no geral, afinal os sintomas de uma amigdalite são razoavelmente conhecidos. Mas no particular: elas acabarão “falando” diferentes coisas nos diferentes sujeitos. Um tem tontura quando engole, o outro refere uma sensação de espinho e finalmente o terceiro só consegue engulir bem quando esta em pé. E pense ainda que cada um tem um estado mental muito particular. Pois bem, e daí?

Acontece que a homeopatia valoriza cada um destes detalhes para buscar o medicamento viável para cada caso. Como isto é possível? Cada medicamento testado (experimentações ou provings) de acordo com a farmacopéia homeopática (que usa como base importante de sua farmácia ervas e plantas medicinais mas também medicamentos de origem animal, mineral e sintéticos) registra várias destas sensações peculiares e que distinguem em vários experimentadores.

Com isto obtemos efeitos muito favoráveis. Conseguimos com tais efeitos cuidar das pessoas e de suas doenças. Claro que não é tão simples assim, há que se conhecer bem anatomia, fisiologia, patologia e todas as disciplinas básicas da medicina.

Muitas vezes a homeopatia não pode curar (assim como outras formas de medicina), as vezes a pessoa é convidada a visitar um outro médico especialista para que suas queixas sejam examinadas com outros olhos.

A homeopatia ainda desenvolveu uma série de percepções relacionadas com o modo particular de adoecer e de se curar de cada um, que foram além do estudo da biomedicina (a forma com que hoje nos referimos à alopatia). Busca respeitar o tempo e a linguagem com que cada um nos conta da sua enfermidade. É uma autêntica medicina baseada em narrativas.

Um médico homeopata estuda seu paciente pode-se dizer sem risco de exagerar, a vida toda, pois a proposta é exatamente esta: acompanhá-lo em sua trajetória. E esta trajetória – a própria vida — envolve para cada uma de nós surpresas e sofrimentos, decepções e entusiasmo, melancolia e euforia, solidariedade e solidão. A homeopatia é portanto uma medicina com sujeito que busca como ideal terapêutico reestabelecer o potencial e o talento com que cada ser nasceu para cuidar de si. E isto só pode ser visto no conjunto, contexto por contexto, dentro de cada caso.

Já que a homeopatia encontra-se disponível em vários serviços e consultório, inclusive no SUS nada mais resta a dizer a não ser: venha ter a sua experiência.

Sobre o autor :
Paulo Rosenbaum é médico, mestre em Medicina Preventiva e Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), especializado em homeopatia pelo Conselho Federal de Medicina. Responsável pelo Departamento Científico da Escola Paulista de Homeopatia e editor da revista Cultura Homeopática.
Rua Pará , 76 cj. 83 – Higienópolis São Paulo – SP. Brasil.
Tels.: (11) 32141150 / 32573865

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