671/ Uma contribuição de nosso leitor vira post

O Blogvisão publicou Cabo Anselmo agora quer reparação da Comissão de Anistia e em razão desta matéria, recebemos o comentário de Marco Ferrari, que pela extensão e interesse que nos causou o texto, ainda que não implique em nossa concordância com suas idéias, resolvemos tornar um “post”. Agradecemos ao Marco Ferrari pelo texto, e esperamos que ele compreenda que suprimimos alguns trechos, não com intenção de cercear ou manipular sua criação, mas por acharmos que a sua publicação nesta midia, nada acrescentaria em termos de conteúdo.

Eis então, a contribuição deste leitor:

“Guerrilha brasileira?

A guerrilha brasileira careceu dos princípios mais elementares de organização clandestina armada, de tática e estratégia, estando totalmente ausente de uma autêntica participação popular e de atributos para o exercício de uma verdadeira violência revolucionária. E se bem é certo que, na peculiar mecânica do terrorismo nacional existiram autênticos pensadores marxistas acompanhados de ações e digitados combatentes reais, existiram também inocentes úteis elevados à “guerrilheiros” ao segundo baseado e a “comandantes” à terceira vodka.

A guerrilha brasileira fez tudo o que o manual guerrilheiro de todos os meridianos mandam, precisamente, não fazer.

Quais critérios, que pautas eram utilizadas para contacto, seleção, escolha e recrutamento de seus adeptos? Quais os testes de múltipla escolha e gabaritos empregados, para que os interessados desse singular vestibular alcançarem a “Faculdade”?

Que entidade física ou jurídica da época podia se desfazer de quase 70.000.000 de U$A que custou a manutenção da guerrilha nacional em todo o território nacional, especialmente na Araguaia aonde todos os mantimentos chegavam por avião a preços caríssimos sem abalar-se? Foi o cofre do Ademar de Barros de onde furtaram cinco milhões de dólares?; foram os quatro ou cinco bancos “desapropriados” em 700.000 dólares?; os dois carros–fortes assaltados que lhe proporcionaram quinhentos mil dólares?; a casa de perucas Jean que “tomaram” como “objetivo” arriscando vidas, liberdade e armas caríssimas em vez de comprar todas as perucas que custavam menos de três mil dólares?

Porque as forças regulares, sabendo da existência e localização de “aparelhos” com ou sem seqüestrados, deixavam correr o filme sem interromper suas atividades? Salvaguardavam o quê, protegiam a quem dentro desses mocós “revolucionários”?

Não; decisivamente os números nem as estratégias guerrilheiras batem.

Esse setor guerrilheiro partiu do Planalto
Seguem-se muitíssimos mais interrogantes

Extraído do livro Eu matei o cabo Anselmo
A guerrilha brasileira jamais existiu
A guerrilha que desceu do Planalto

A oportuna ressurreição laica do cabo Anselmo pelo “cabo Anselmo” (e vão…) não constitui de por si surpresa, senão preocupação neste Brasil tão bizarro e generoso em todo tipo de anomalias e permissividades.

Ora: Onde a vida humana vale para a justiça menos que a propriedade privada, onde parricidas, matricidas e uxoricidas ricos “respondem” em liberdade enquanto uma ré primária pobre presa por tentativa de furto de uma margarina de R$ 1,40 passa um ano e quatro meses na cadeia e sai cega quando nem deveria estar lá, quando outro pobre é jogado na prisão pelo homicídio de um homem assassinado em 1981 quando ele viria a nascer em 1985, quatro anos depois, e assim aos montes, diariamente, onde réus de crimes e até condenados por alguns deles homiziam-se em cadeiras legislativas sabendo (todo o país) que ficarão impunes para sempre, quando o presidente do senado paga as despesas de um filho putativo com dinheiro de um lobista, consegue vender a arroba da carne bovina das Alagoas a 50% mais caro que no resto do país às toneladas diárias em açougues onde o próprio dono afirma que comercializa ao redor de 600 quilos mensais, emite notas fiscais com o mesmíssimo número para diversos produtos diferentes com diferentes preços e, desmascarado, não só não renuncia senão que sequer cogita o suicídio, um ex-governador e também seu par recebe um cheque de 3.226.000 de reais por um “empréstimo” de 300.000 e devolve a diferença, (? ) sem explicar se o emissor do cheque (da antes nunca vista transação bancária) é louco ou imbecil e, de lambuja, clama aos prantos sua inocência no plenário sem ser arrebatado pela vergonha, no país que no período de dias em que aconteceram os acidentes aéreos com maior número de vítimas que a aviação civil já teve no mundo civilizado, 370 – trezentos setenta – e, a uma ministra de estado é perguntada sobre a solução do caos aéreo que se havia estabelecido no país, respondeu toda sorridente e faceira com seu “relaxe e goze”, onde um Inri Cristo do Paraná afirma publicamente ser o Cristo de Nazaré e, além de não ser preso por impostor ou internado por louco é convidado constantemente à televisão com sua plêiade de virgens, onde a construção da Vila Olímpica que foi orçada em R$ 360.000.000 – trezentos e sessenta milhões de reais – gasta exatas 10 vezes mais R$ 3.600.000.000  – três bilhões e seiscentos milhões de reais – e tal defraudação fica nas alvíssaras e na algaravia entre executores e executados e, o pior, já eliminado o Brasil (“O país do futebol”) do Campeonato Mundial Sub-20 o é de esse Pan-americano da Vila Olímpica pelo Equador e, onde até a paupérrima Cuba nos supera em medalhas de ouro, a rediviva do cabo Anselmo pelo “cabo Anselmo” não é tão estranho nem ridícula assim.

A morte do cabo Anselmo é desde há mais de 20 anos conhecida.

O curioso, o preocupantemente curioso é ver que, como os “exemplos” anteriores, não estão todos os que são nem são todos os que estão.

Na cadeia.

E mais do que isso.

O segmento da imprensa que certamente conhece tal constante mimetismo admite tal desfaçatez olimpicamente (sem trocadilho) fazendo perguntar aos que sabem de sua morte se também essa imprensa tão permissível e avessa a esse tipo de elucidações que não lhe interessa à linha editorial que conduzem, cansada da interminável novela global ao fim desmascare ao insistente redivivo “cabo Anselmo”.

Continuando, como já disse, procurando a razão autêntica da reportagem da revista IstoÉ ao longo do tempo e no constante acúmulo de páginas foi surgindo um livro, (“copião”) de 160 páginas, “copião” que logo das insistentes ressurreições do “cabo Anselmo” (a última delas semanas atrás) chama (nos) para a conveniência de editá-lo com celeridade ao menos por duas razões imediatas:

Esta última rediviva do “cabo Anselmo” precisamente quando o governo não voa em céu de brigadeiro e a aeronave explode em conflitos e controvérsias, (sem trocadilho) alerta à sociedade sobre os caroços furtivos que certamente tem esse angu, e o oportunismo (ou a chantagem) que se avizinha pela concessão da aposentadoria do assassinado capitão Lamarca, (executado como todos os poucos autênticos e atuantes guerrilheiros) e, outra anistia imoral que no vácuo da tormenta parece preparar-se para os “guerrilheiros” de recente hierarquia provisoriamente excluída que, como narra o meu livro, concediam-se esse título de combatentes logo da terceira vodka e ao fim do segundo baseado.

Para concluir (por ora) desejo transcrever textual o prólogo do livro “Eu matei o cabo Anselmo” /A guerrilha brasileira nunca existiu, que, de rigorosa atualidade, ensina (nos) em breve didatismo que o povo brasileiro não é nada pacato, pois, entabulou com os poderes vigentes de suas diversas épocas 2008 batalhas pela sua liberdade, conflitos bélicos que a história oficial não teve o hábito de fazê-los existir ou, existindo-os, deu-lhe outra conotação e, naturalmente, quando, como, onde e por quem foi morto o cabo Anselmo; não o “cabo Anselmo” a quem, desde há 23 anos, conclamo a apresentar provas de sua identidade como, por exemplo, arcada dentária, ficha dactiloscópica completa ou teste de DNA.

Porque escrevi este livro

Porque todo o que aqui está escrito é verídico, e não pode ser contestado cientificamente por nada nem por ninguém.
Porque já nasceu a segunda geração de brasileiros a quem lhe furtaram o direito de saber o certo documentadamente, contestando as páginas em branco, em negro e em vermelho recheias de vazios que a história oficial lhes legou antes e depois de que a ordem fosse progresso.
Porque em toda a variedade de essa ordem o progresso só constituiu uma pátria, a Financeira.
Porque uma verdadeira e permanente pacificação nacional, fator primordial para uma autêntica e firme democracia, jamais se consolidará persistindo em omissões, pretextos, sigilos nem secretos para a “salvaguarda do Estado”.
Porque auto-anistia de uma mão só, sem plebiscito nem regras democráticas não cria a imaginada paz; só perpetua as diferenças e a revolta.
Porque todos os muros deverão cair.
Porque Nilo Odália me aturou e assistiu quando invadi a sua erudição, seu lar e seu tempo.
Porque Julio José Chiavenato me espelho com seu exemplo.
Porque dona Helena Pereira dos Santos me outorgou a heróica eloqüência do seu silêncio esperançado.
Porque Ugo Canessa me disse “toca pra frente”.
E porque Margarida, minha mulher, e as minhas quatro filhas a quem lhes dedico o livro, nunca me cobraram o tempo de amor que lhes exclui durante os tantos meses e horas absortas que me levou concluí-lo, muito pelo contrário.

Marco Ferrari
 

Agendo palestras e conferências ao respeito com debate em aberto, em centros de ensino superior e entidades de classe em todos os Estados do Brasil.

Contato: premionacionaldeliteratura@ig.com.br (11) 4781.4294

Marco Ferrari, Buenos Aires, 07/ 09/ 1944. Escritor. Cronista. Pesquisador. Crítico de Literatura.
Tradutor da Língua Espanhola para o português, especializado em léxico e cariz da América Latina. Membro nº 3130 da UBE União Brasileira de Escritores.
Criador do mais importante Prêmio Literário do Brasil, o Prêmio Nacional de Literatura, pleiteado ante o Ministério da Cultura alegando “Ser o Brasil o único país do mundo que não possuía um galardão que designasse o melhor escritor nacional”. Aprovado pela Comissão de Incentivo à Cultura – CNIC – do Ministério da Cultura em 27/08/1996. DOU. Diário Oficial da União, 27/08/96. Novamente aprovado a efeitos de Captação de Recursos Complementares em 1997. DOU. Nº 93, 19/05/1997.

Autor do livro “Idioma Galego: Nossa Língua Portuguesa”

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Um comentário sobre “671/ Uma contribuição de nosso leitor vira post

  1. Por cá, quase não se fala desse fenómeno brasileiros… Sabe-se que foi estritamente urbano e sem apoio popular e que foi um pretexto para a ascensão e consolidação da ditadura militar, mas pouco mais… e nos livros e aulas de História, aliás, o Brasil moderno é completamente omisso, como presumo que deve estar o Portugal moderno nos livros escolares do Brasil de hoje…

    Mas formalmente… Penso que não houve tal coisa como “guerrilha” no Brasil. Não segundo os canónes habituais, nunca sem passar das primeiras fases… Teve a base ideológica, mas nunca soube passar da fase embrionária nem cativar apoio popular. Pelo menos esta é a ideia que me ficou do pouco que li sobre a dita.

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