682/ Alimentos básicos vão ficar mais caros em Portugal

Da Fábrica de Conteúdos

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O preço dos alimentos básicos vai aumentar em Portugal, devido à forte escalada do preço dos cereais e à canalização desta matéria-prima para os biocombustíveis.

O alerta, dado pela Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA), atenta que as rações para animais, e consequentemente a carne, pão, óleo, massas, cereais, farinhas e ovos serão os alimentos mais afetados com a elevação dos preços.

Pedro Queiroz, diretor-geral da FIPA, revela que as empresas “ainda não refletiram os aumentos nos preços finais ao consumidor, tendo optado por reduzir as margens de lucro”, sublinhando que “a situação não é suportável por muito mais tempo, sendo esperada uma subida dos preços já em 2008”.

As estatísticas internacionais da OCDE e da Organização Mundial de Alimentação (FAO) revelam ainda uma forte subida do preço de produtos como o queijo, manteiga, leite e carne.

No caso dos cereais, o aumento é bem evidente, sendo que as cotações do trigo e da cevada subiram 47% nos últimos 12 meses, enquanto o milho subiu 32%. Neste caso, Portugal, que importa mais de 90% do trigo e 50% do milho, será muito afetado por estas cotações.

O responsável considera ainda que a utilização destes produtos no biocombustível é o fator principal que está na base desta situação, sendo que “cada vez mais os estoques alimentares são utilizados para energias alternativas em vez de serem canalizados para a alimentação”, sublinhando que o fato de a União Europeia estar “oferecendo incentivos para estes combustíveis provoca uma distorção no mercado”.

Um relatório da HBR conclui que “os estoques nunca estiveram tão baixos na Europa. Dão apenas para dois meses de consumo. Já em setembro o preço do pão deve aumentar entre 3% a 5% e no próximo ano o aumento pode ser mais elevado”.

Por outro lado, Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), mostra uma opinião diferente da FIPA, salientando que o aumento do preço dos cereais não se deve aos combustíveis verdes, revelando que “é muito mais devastador um tufão ou cheias do que os biocombustíveis”, pelo que considera que “os preços subiram devido às alterações climáticas e ao aumento da procura face à oferta”.

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3 comentários sobre “682/ Alimentos básicos vão ficar mais caros em Portugal

  1. Caro Clavis,

    Penso que os biocombustíveis efetivamente possam se tornar uma alternativa viável e de primeira linha na produção de energia.

    A questão é exatamente como definir as áreas e as espécies cultiváveis, para que não se intensifiquem os sintomas que começamos a presenciar, dos quais você, tão bem, citou um exemplo.

    A propósito, sugiro ao amigo, se tiver tempo, de dar uma lida no texto “675/ Amazônia – pobre, mas limpinha”.

    Saudações,
    Xicolopes

  2. O México, país de origem do milho e onde este é tão importante como alimento principal da maioria dos mexicanos (tortilha!) já está a pagar essa factura… Este é aliás um dos argumentos pelo qual sou tão céptico quanto á produção de biocombustíveis, pelo menos a partir do milho, já que a partir da Cana de Açúcar o balanço energético parece ser mais favorável e não comprime tanto os preços de bens mais essenciais como o milho.

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