688/ A ministra ‘assassina’ que assume a Defesa do Japão

ABEL COELHO DE MORAIS para o Diário de Notícias.pt

yurikokoike

Yuriko Koike escreveu nos anos 80 Subindo as Pirâmides de Quimono, título que é uma metáfora adequada para a tarefa que aguarda a primeira mulher a dirigir o Ministério da Defesa no Japão. Mas cujos trabalhos não se esgotam na direção de um Ministério recém-criado.

Koike, de 54 anos, foi escolhida depois do ministro anterior, Fumio Kyuma, ter proferido declarações em que atenuava a gravidade do lançamento das bombas atômicas sobre Hiroxima e Nagasáqui pelos Estados Unidos no final da II Guerra Mundial.

A sua designação, comentava a 4 de julho um dos principais diários nipônicos, o Yomiuri Shimbun, resultou da necessidade do chefe do Governo, Shinzo Abe, “restaurar uma imagem danificada” por escândalos com vários dos seus ministros e uma queda constante de popularidade.

Koike celebrizou-se em 2005 por fazer parte da bancada dos “deputados assassinos” denominação dada pelo anterior chefe do Executivo e líder do PLD, Junichiro Koizumi, contra candidatos do PLD que se opunham às suas políticas. Koike estará entre os “assassinos” eleitos.

Segundo uma pesquisa publicada na última quinta-feira no Yomiuri Shimbun, o Partido Liberal Democrático (PLD) de Shinzo Abe arrisca-se a sofrer uma derrota histórica nas eleições de domingo para o Senado, que não põe em risco a continuação do governo mas representa um tremendo revés pessoal para um primeiro-ministro há apenas dez meses no poder.

A nomeação de Koike – que foi considerada no Fórum de Davos de 1992 como uma das 200 personalidades internacionais suscetíveis de se tornarem influentes nos próximos anos – pode ser vista como uma deferência ao “eleitorado japonês que não acredita que as mulheres políticas se envolvem em escândalos financeiros”, referia recentemente ao The Times o líder dos sociais-democratas nipônicos, Mizuho Fukushima.

Por outro lado, é também um investimento numa figura carismática e irreverente, algo de que o governo de Abe necessita, atendendo à personalidade discreta do seu líder em contraste com a de Koizumi.

A ascensão de Koike começou com Koizumi no governo quando este a nomeia ministra do Ambiente em 2004. Os seus adversários gostam de lhe chamar “ave de arribação”, pondo em relevo a passagem por quatro partidos em pouco mais de uma década, aderindo ao PLD em 2002.

Os resultados de domingo poderão indicar, caso a curto prazo Shinzo Abe venha a abandonar a liderança do Governo, se o percurso político de Koike não lhe permitir “arribar” a outros cargos.

Na sua época no Ambiente foi uma ativa porta-voz da campanha a favor de um código de vestir informal no verão, uma iniciativa de Koizumi para combater o uso excessivo de ar condicionado e o desperdício de energia, cujo sinal emblemático se tornou o abandono da gravata. Apresentou ainda uma iniciativa a favor da reciclagem de materiais de plástico que podem ser usados como fibras para a confecção de panos tradicionais japoneses usados para transporte de compras.

Designada por vezes como a “Condoleezza Rice do Japão” pela sua escolha para estrear o cargo de Conselheira Nacional de Segurança criado no Governo de Abe, Koike começou no jornalismo, tendo estudado Sociologia no Egito e árabe na Universidade Americana do Cairo. É considerada uma especialista em Oriente Médio.

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