694/ Governo japonês é derrotado em eleição para o Senado

Do Diário da ManhãOnLine

A coalizão de governo do Japão, liderada pelo primeiro-ministro Shinzo Abe, sofreu uma de suas maiores derrotas de todos os tempos na eleição para metade do Senado. De acordo com as projeções iniciais, o Partido Liberal Democrático (PLD), no poder quase ininterruptamente desde 1955, elegeu menos de 40 dos 121 senadores eleitos hoje.

O PLD e o partido Novo Komei, minoritário na coalizão governista, precisariam ter eleito 64 senadores para manter maioria no Senado de 242 cadeiras, mas as projeções indicam que as duas agremiações juntas ficarão com 104 senadores.

O Partido Democrático do Japão (PDJ), o maior da oposição, elegeu cerca de 60 senadores e deverá ficar com 111.

Abe reconheceu a derrota, que qualificou como “severa”, mas descartou a hipótese de renunciar ao cargo ou de convocar eleições antecipadas para a Câmara, que tem importância maior do que o Senado.

“Preciso levar as reformas adiante e continuar a cumprir minhas responsabilidades como primeiro-ministro. A responsabilidade por essa derrota acachapante é minha”, disse Abe na sede do PLD em Tóquio.

Em 2004, Abe havia renunciado ao cargo de secretário-geral do PLD, depois de a agremiação eleger apenas 49 senadores, dois a menos do que seu próprio objetivo. Hoje, o principal assessor político do primeiro-ministro, Hidenao Nakagawa, renunciou ao cargo.

O partido tem enfrentado uma série de escândalos, a começar com a renúncia do Ministro para Reforma Administrativa, Genichiro Sata, em dezembro passado, acusado de mau uso de fundos partidários. Em maio, o ministro da Agricultura suicidou-se em meio a um novo escândalo sobre dinheiro supostamente ilegal. No mês passado, o ministro da Defesa, Fumio Kyuma, renunciou depois de dizer que foi justificável o bombardeio nuclear das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki pelos EUA em 1945.

O dirigente do PDJ Naoto Kan disse a jornalistas que “a nação falou muito claramente. Naturalmente, temos a Câmara na mira e nosso objetivo final é a mudança de governo”, acrescentou.

O partido, considerado tão conservador como o PLD, venceu com uma plataforma de reformas audaciosas, entre elas a de que o Japão tenha um papel maior em operações militares internacionais de manutenção da paz no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU).

Entre os candidatos que não foram eleitos para o Senado do Japão neste domingo estão o ex-presidente peruano Alberto Fujimori, que está em prisão domiciliar no Chile, aguardando decisão final sobre o pedido de sua extradição para o Peru (para ser julgado por corrupção e violações dos direitos humanos) e Yuko Tojo, neta do general japonês que ordenou o ataque à base naval norte-americana de Pearl Harbor em 1941.

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