698/ Brasil entra na era do rádio digital

Eliane Oliveira e Henrique G. Batista para O Globo

radiodigital

BRASÍLIA – A expressão “do tempo do rádio à pilha”, usada para indicar coisas antigas e ultrapassadas, terá de ser aposentada.

Ainda neste ano, as transmissões radiofônicas digitais devem se transformar em realidade em cidades como Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, revolucionando este meio de comunicação.

O governo, segundo o ministro das Comunicações, Hélio Costa, decide esta semana o sistema a ser utilizado para o rádio digital. O novo padrão gastará menos energia e bateria, assim como aconteceu com os telefones celulares, o que deverá levar a um novo ciclo de expansão do rádio de pilha. Porém, com maior qualidade de transmissão e mais opções para o ouvinte.

O decreto presidencial que institui o novo modelo no país deverá ser assinado no início de setembro, mês em que se comemoram os 85 anos da primeira transmissão de rádio no Brasil.

A expectativa de governo, indústrias e emissoras é que a transição do atual sistema analógico para o digital seja mais veloz que a popularização da TV digital. Ainda em 2007, o consumidor poderá ouvir uma estação FM com qualidade de CD e escutar uma estação AM com qualidade de FM. Além disso, o ouvinte poderá se beneficiar da multiprogramação, uma vez que cada emissora terá quatro canais à disposição.

Aparelho exibe mensagens de texto

As revoluções causadas pela mudança não param aí. Os visores dos aparelhos serão verdadeiros letreiros digitais, que poderão transmitir notícias, previsões do tempo e outras informações complementares. O consumidor brasileiro – assim como já ocorre nos EUA e na Europa – poderá contar também com a rádio por assinatura, por meio de freqüências fechadas de ondas curtas (OC). O sistema OC de rádio digital é capaz de mandar um sinal perfeito a mais de 3 mil quilômetros de distância.

– Uma emissora sediada em Brasília cobriria a América do Sul inteira. Dá para fazer transmissões em freqüências fechadas. Essas freqüências, hoje praticamente abandonadas, deverão ser reutilizadas ainda para transmissão de dados e também como rede de distribuição de programas oficiais do governo e de projetos educacionais – explicou o ministro Costa.

As transmissões em caráter experimental por 17 emissoras já ocorrem há dois anos nas cidades de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. Outras 50 emissoras aguardam apenas a autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para dar largada na tecnologia.

A tendência é que o comitê encarregado de estabelecer o padrão a ser usado e o modelo do negócio escolha um sistema híbrido: o americano (Iboc), preferido dos radiodifusores, para FM e AM e o europeu (DRM) para ondas curtas.

Formado por representantes do governo, das emissoras e da sociedade civil, o comitê se reúne nesta quarta-feira. Na próxima sexta, o ministro das Comunicações encaminhará ao Palácio do Planalto o relatório final.

– Resolvemos o problema da banda de transmissão. Hoje, se você quiser colocar uma rádio analógica no centro de São Paulo, não há espaço — diz Costa.

Ele acrescentou que os ouvintes serão beneficiados com a entrada de novos players, aumentando a concorrência e democratizando o rádio no país.

Rio e São Paulo, que estão com os dials congestionados, estão entre os maiores beneficiados. A meta do governo é que, em dez anos, cada um dos 5,6 mil municípios brasileiros tenha ao menos uma emissora de rádio.

O ministro revelou que o Brasil conseguiu dos americanos a garantia de que não haverá pagamento de royalties pelos radiodifusores brasileiros, a não ser pelo aparelho, a um valor estimado em US$ 1. Esse custo, segundo ele, deverá ser absorvido pelas indústrias.

A passagem do rádio analógico para o digital ocorrerá naturalmente, como aconteceu no passado quando os aparelhos com rádio AM e ondas curtas começaram a ser comprados também com FM. O governo quer estimular as montadoras, inclusive, a vender rádio digital nos veículos a partir de 2008. Será possível também comprar um conversor que, instalado no aparelho, fará a mudança de padrão.

Durante dez anos, entretanto, haverá um período de transição. A emissora transmitirá, ao mesmo tempo, por via analógica e digital.

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