699/ Cinema chora a morte de Ingmar Bergman

Do ÚltimoSegundo

Copenhague – A morte do cineasta Ingmar Bergman aos 89 anos abalou nesta segunda-feira a sociedade sueca e o mundo do cinema, que há cinco décadas reconhecia unanimemente o diretor como um de seus grandes mestres. Bergman, considerado um dos diretores mais influentes da segunda metade do século 20, morreu em casa da ilha de Faröe, no Mar Báltico, cercado pela família.

Sua filha Eva Bergman, encarregada de dar a notícia, disse à agência de notícias sueca “TT” que a morte do cineasta foi “pacífica e tranqüila”, mas não explicou as causas.

“Eu o visitei na semana passada e já percebi que ele nos estava deixando. Era um homem velho que morreu calma e docemente em sua cama, um velho coração que deixou de bater”, afirmou o genro do diretor, o escritor sueco Henning Mankell.

A notícia da morte de Bergman provocou uma chuva de pêsames de personalidades da cultura e da política suecas, entre elas o primeiro-ministro do país, Fredrik Reinfeldt.

“A obra dele é imortal. Espero que sua herança seja cuidada e desenvolvida por muitos anos”, disse Reinfeldt em comunicado.

Vida e obra

Durante a longa carreira, Bergman dirigiu mais de 100 peças de teatro, muitos programas de televisão e mais de 40 filmes.

bergman

Bergman e Liv Ullman, em ‘Gritos e sussurros’

O cineasta nasceu em 14 de julho de 1918 em Uppsala, ao norte de Estocolmo, e cresceu em um ambiente religioso e autoritário que marcaria sua personalidade e obra.

Seu pai, pastor protestante, costumava castigar Bergman trancando-o num armário. Para combater o ambiente repressivo da casa, o diretor de cinema acabou criando um mundo de fantasia, como explicou mais tarde.

Após estudar arte e literatura em Estocolmo, Bergman se dedicou a escrever e dirigir peças de teatro, sua grande paixão. A carreira cinematográfica começou em 1944, quando escreveu o roteiro de “Tormento” para o diretor sueco Alf Sjöberg.

O longa-metragem, que ganhou vários prêmios e no qual Bergman trabalhou como auxiliar de direção, é baseado nas recordações da infância do diretor e causou grande polêmica na Suécia da época, pois colocava em xeque o sistema educacional do país.

Pouco depois, Bergman aprendeu todos os aspectos técnicos do cinema, desde iluminação e som até a montagem, com o objetivo de controlar completamente a produção de seus filmes.

Além disso, começou a aplicar o conselho dado por um de seus ídolos, o diretor sueco Victor Sjöström: “Não discuta tanto com todo mundo. Só conseguirá que se aborreçam e desmereçam seu trabalho”.

Após dirigir quatro filmes com roteiros de outros autores, Bergman estreou “Prisão” (1948), seu primeiro filme como roteirista e diretor. No entanto, o reconhecimento internacional só chegou com a estréia de “Sorrisos de uma Noite de Amor” (1955), com o qual ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Cannes. O filme seguinte, “O Sétimo Selo” (1956), se tornou rapidamente um clássico do cinema autoral e levou Bergman ao Olimpo da sétima arte.

A partir daí, o cineasta assinou mais de 30 filmes, refletindo uma visão trágica das relações humanas e recebendo, por isso, o estigma de autor obscuro e atormentado. Entre seus filmes destacam-se “Morangos Silvestres” (1957, prêmio de melhor direção do Festival de Cannes), “A Fonte da Donzela” (1960, Oscar de melhor filme estrangeiro), e “Fanny e Alexander” (1983), seu último filme, pelo qual ganhou quatro estatuetas em Hollywood (filme estrangeiro, fotografia, direção de arte e figurino).

Depois, Bergman se dedicou a dirigir peças teatrais e séries de televisão, e seus roteiros foram dirigidos por outros cineastas, como o dinamarquês Bille August, que realizou “As Melhores Intenções”, Palma de Ouro em Cannes em 1992.

Nos últimos anos, Bergman morou em Faröe e foi se preparando mentalmente para aceitar a morte, uma de suas obsessões. “Quando era jovem, tinha um medo horrível de morrer. Agora acho que é uma solução muito, muito correta. É como uma vela que se apaga. Não há muito o que discutir”, disse em uma de suas últimas entrevistas.

 

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